
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta quarta-feira (2), a proibição do armazenamento, comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso de lâmpadas fluorescentes de alta potência utilizadas em câmaras de bronzeamento artificial. A decisão reforça a restrição imposta desde 2009, quando o uso desse equipamento para fins estéticos foi vetado no Brasil.
A determinação tem o objetivo de inviabilizar a continuidade desse tipo de procedimento no país, uma vez que, segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), o bronzeamento artificial é classificado como cancerígeno para humanos.
Riscos do bronzeamento artificial para a saúde
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), essas câmaras foram originalmente desenvolvidas para tratamentos dermatológicos, como psoríase e vitiligo. No entanto, seu uso para fins estéticos tornou-se popular, expondo os usuários a altos riscos de saúde.
Estudos apontam que uma única sessão de bronzeamento artificial pode aumentar em 15% o risco de desenvolver câncer de pele. Para pessoas que iniciam o procedimento antes dos 35 anos, o perigo é ainda maior: a probabilidade de desenvolver melanoma, o tipo mais agressivo da doença, pode aumentar em até 75%.
“O bronzeamento artificial pode funcionar como uma bomba-relógio, pois uma única aplicação já eleva significativamente os riscos de câncer de pele. A exposição excessiva à radiação ultravioleta (UV) dessas lâmpadas danifica o DNA das células cutâneas, podendo levar ao desenvolvimento de tumores malignos”, alerta o oncologista João Duprat Neto, diretor da Oncologia Cutânea do hospital A.C. Camargo e autor do artigo “Sol, Modo de Usar”, publicado pelo INCA.
Com essa nova resolução, a Anvisa reforça a preocupação com a saúde pública e busca frear a continuidade de práticas estéticas que oferecem riscos comprovados à população.