Trayce Melo
Os paraenses estão sentindo no bolso o aumento nos preços de alimentos como ovos, açaí e café. De acordo com dados divulgados na quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prévia da inflação (IPCA-15) na Região Metropolitana de Belém (RMB) foi de 0,62% em março de 2025. Esse número mostra uma desaceleração em relação a fevereiro (1,39%). No acumulado do ano, a inflação chegou a 2,02%, e nos últimos 12 meses, atingiu 4,87%. O grupo alimentação e bebidas foi o que mais influenciou o índice, com aumento de 1,10%.
Dentro desse grupo, os alimentos tiveram um aumento de 1,25%, impulsionado por altas nos preços do ovo de galinha (17,20%), tomate (12,66%), melancia (12,50%) e açaí (11,65%). Por outro lado, alguns produtos apresentaram queda nos preços, como o abacate (-7,58%), o peixe dourada (-7,15%) e cortes como o filé mignon (-6,81%).
Adriane Cavalcante, que há mais de 15 anos é proprietária de um depósito de farinha e ovos no bairro da Sacramenta, em Belém, afirma que nunca presenciou um aumento tão expressivo no preço dos ovos como agora. “Em todos esses anos trabalhando com essa mercadoria, nunca vi algo tão absurdo. O preço da caixa de ovos aumentava de 10 a 15 reais todo dia. Não foi por causa do milho ou de qualquer outro fator; foi realmente pela falta de mercadoria disponível. Essa escassez é o que gerou essa situação.
Ela menciona que, em março, o preço da cuba de ovos chegou a R$ 28,00. “Há uma semana, a cuba de ovos ainda estava custando R$ 28,00, mas agora já caiu para cerca de R$ 20,00. Essa diferença é significativa e impacta o bolso do consumidor. Notamos uma queda nas vendas, pois as pessoas estão comprando menos e começando a avaliar o que realmente compensa. Com o ovo custando esse valor, muitos preferem comprar um pedaço de carne no açougue, já que o ovo deixa de ser uma opção econômica nessas condições. Essa semana eu já senti que o pessoal já voltou com mais entusiasmo”.
Ela ainda explica que o aumento no preço dos ovos se deve principalmente à exportação. “Estamos enviando nossa produção para fora. As granjas não conseguem atender a demanda, apesar de termos muitas granjas boas. Além disso, os ovos vêm de outros lugares, como São Paulo e Minas Gerais. A produção local não está conseguindo suprir a necessidade de Belém e nem do Brasil como um todo”, comenta.
Ela destaca que a perda nas vendas só não foi tão grande, principalmente por causa dos clientes fiéis. Além disso, ela oferece serviços de entrega e seus preços são mais acessíveis em comparação a outros lugares. “Cerca de 80% dos nossos clientes são fiéis, devido à qualidade que oferecemos e à comodidade da entrega em domicílio. Hoje em dia, as pessoas preferem não sair de casa. Quanto mais você facilita para o cliente, mais ele busca essa facilidade com você”.
O aumento no preço dos alimentos tem feito com que muitos consumidores busquem maneiras de economizar. Marco Antonio, 54 anos, é proprietário de uma barraca de café da manhã no bairro do Reduto e comenta que sempre compra ovos na venda da Adriene. “Eu tenho uma barraca de café da manhã, e meu carro-chefe é o café com leite e o pão com ovo. Mas também vendo tapioca e pão com queijo e presunto”, explica ele.
Devido ao aumento dos preços, ele comentou que precisou fazer mudanças nos valores. “Com o preço dos alimentos subindo, tive que ajustar o valor do café. O custo do café aumentou bastante; antes, eu vendia a R$ 2,00 e agora estou cobrando R$ 3,00. Os outros preços eu mantive, mas com a variação no preço dos ovos, não sei por quanto tempo conseguirei manter esses valores. Por isso, venho aqui, pois os preços estão melhores do que em outros lugares. Em alguns lugares, a caixa de ovos está custando R$ 30,00”.
AÇAÍ
Na feira da 25, Lays Sampaio, 36, está enfrentando um aumento no preço do litro do açaí que vende. Desde março, ela passou a cobrar R$ 34 pelo litro popular e R$ 42 pelo médio. Segundo Lays, o custo do paneiro do açaí subiu. Ela comentou que muitos batedores estão vendendo menos. “Esse é o cenário geral para quem trabalha com açaí artesanal. Antes, as pessoas costumavam levar dois litros, mas agora estão levando um. E ainda pedem a água do açaí. Quem costumava pedir o médio agora está optando pelo popular, por causa da diferença de preço”.
Lays explicou que na semana passada, o valor do açaí chegou a R$ 46,00. O que hoje está custando R$ 42,00 já chegou a R$ 48,00. “A situação ainda não se normalizou, pois essa época é complicada para o produto. O açaí que costumamos comprar por R$ 20,00 não está disponível agora. A expectativa é que os preços comecem a cair somente em junho, devido à entressafra. Não há um vilão, é tudo uma questão da natureza”.
Ela mencionou que, mesmo com o preço mais alto, as vendas estão indo bem. “Estamos conseguindo nos manter, e não precisei fechar meu ponto em nenhum dia. Sempre tem pessoas que contam comigo. Eu faço parceria com o fornecedor e compro meu açaí com dois dias de antecedência. Assim, o açaí que vou usar no domingo já está encomendado. Tenho toda uma logística organizada”.
A batedora de açaí comentou que uma estratégia adota para aumentar as vendas é a comercialização da bacaba. “Nesta época do ano, os clientes podem experimentar a bacaba, que tem preço a partir de R$ 20,00”.