COMBUSTÍVEL

Consumidor pode não sentir queda no preço do diesel

A Petrobras colocou em vigor ontem, 1º, uma redução no preço do óleo diesel nas refinarias brasileiras.

José Augusto diz que pega frete de R$ 8 mil, mas gasta com os custos cerca de metade desse valor
José Augusto diz que pega frete de R$ 8 mil, mas gasta com os custos cerca de metade desse valor Foto: Ricardo Amanajás / Diário do Pará.

A Petrobras colocou em vigor ontem, 1º, uma redução no preço do óleo diesel nas refinarias brasileiras. Ao todo, serão R$ 0,17 a menos por litro, um recuo de 4,6% no valor do produto. É a primeira vez em 2025 que ocorre uma redução no preço desse combustível.

Desde o início do governo Lula, a estatal tem ancorado o preço dos combustíveis em um balanço entre a produção interna, o valor de importação e a dinâmica do mercado no Brasil. Antes, os governos Temer e Bolsonaro levavam em conta a Paridade de Preço de Importação (PPI), atrelando o valor praticado pela Petrobras à variação do câmbio e do barril de petróleo no exterior. Apesar da boa notícia, o mercado do diesel no Pará ainda apresenta valores diferentes do nacional, tornando-o um dos mais caros do Brasil, aponta uma pesquisa do Dieese-PA. Segundo o órgão, o diesel vendido no estado é o sexto mais caro do país, com uma média de R$ 6,56 por litro, oscilando entre R$ 5,75 e R$ 7,55, dependendo do estabelecimento, entre os dias 23 e 29 de março.

Éverson Costa, supervisor técnico do Dieese-PA, explica que, apesar da redução da Petrobras, o consumidor pode não sentir a diferença no bolso devido a fatores como custo de distribuição, margem de lucro dos empresários e diferenças nos encargos entre os estados. Outro fator que pode gerar um “elas por elas” no preço do diesel, segundo Costa, foi um acréscimo dado no início do ano.

“A gente teve um reajuste de mais de 6% no começo do ano, além do aumento da alíquota do ICMS, decidido pelo Conselho Nacional de Política Fazendária, o Confaz. Esse acréscimo foi de cerca de R$ 0,06 por litro, então agora, mesmo com essa queda, isso não traz um alívio real”, explica.

O especialista diz que a formação de preços da Petrobras adotada pelo atual governo federal gera mais previsibilidade no mercado. “Antes, com a PPI, as oscilações do câmbio eram muito mais rápidas e impactavam diretamente o preço dos combustíveis. Em 2022, praticamente toda semana havia um novo ajuste na gasolina e no diesel. Agora, essa previsibilidade ajuda a conter a inflação e dá tempo para a economia absorver os reajustes”, analisa Costa.

Apesar disso, a alta dos combustíveis do ano passado ainda é sentida pelos motoristas, principalmente os caminhoneiros. “Uma redução de R$ 0,17 por litro para quem trabalha com frete é muito pouca coisa”, reclama José Augusto dos Santos, 44, caminhoneiro há oito anos. “O carreteiro pega um frete de R$ 8 mil, mas gasta R$ 4 mil só com os custos. Como ele sobrevive? Tem família, tem pneu para trocar, tem freio para revisar, sem falar nas multas e na comida na estrada”, questiona.

Alisson Trindade, 37, que está prestes a viajar para Florianópolis, calcula um custo de R$ 10 mil só com diesel. “Não compensa. Caiu R$ 0,17 no litro, mas o frete continua igual, estradas continuam ruins e agora ainda tem a questão da balsa. A gente carrega esse país nas costas, mas ninguém olha para nós”, lamenta o profissional, fazendo referência também à queda da ponte Juscelino Kubitschek na divisa entre o Maranhão e Tocantins, que dificulta ainda mais a vida dos motoristas que precisam usar uma balsa para atravessar entre os estados.