COMUNICAÇÃO

Público paraense segue ligado nas ondas do rádio

Mesmo com as mudanças tecnológicas, o rádio ainda é um meio de comunicação cativo entre os ouvintes, principalmente das emissoras do Grupo RBA.

Belém, Pará, Brasil. Cidade. Rádio Clube FM completa 97 anos de fundação hoje (22). Vamos registrar o café comemorativo pela data. Destacar a trajetória de sucesso da Rádio Clube. 22/04/2025. Foto: Irene Almeida/Diário do Pará
Belém, Pará, Brasil. Cidade. Rádio Clube FM completa 97 anos de fundação hoje (22). Vamos registrar o café comemorativo pela data. Destacar a trajetória de sucesso da Rádio Clube. 22/04/2025. Foto: Irene Almeida/Diário do Pará

Em tempos hiperconectados, um velho companheiro continua marcando presença: o rádio. A pesquisa mais recente do Kantar Ibope Media, divulgada em novembro, aponta que o rádio é ouvido por 79% da população brasileira. Na Grande Belém, o Ibope confirma a liderança absoluta das emissoras do Grupo RBA (Rádio Clube FM, 99FM e Diário FM): em 2025, as três rádios, somadas, possuem 41.122 ouvintes por minuto, contra 32.411 somados das outras cinco concorrentes. Seja nos lares, estabelecimentos comerciais e feiras, a preferência do público é confirmada em cada aparelho sintonizado.

Raimundo Nonato – Feira da Pedreira – Foto: Antonio Melo

Na feira do Marco, tradicionalmente chamada de Bandeira Branca, dona Lindalva Mafra deixa a pequena caixinha azul ao lado do balcão diariamente. Há 30 anos trabalhando na feira, o rádio se tornou o “melhor amigo” no dia a dia do comércio. “Eu gosto de ouvir música e as novidades do futebol. Mesmo com esses tempos de internet, a rádio continua”, afirma. Ela é ouvinte da 99 FM, rádio com uma programação musical variada, mas privilegiando o que é produzido em solo paraense, como o brega do passado, brega-pop, calypso, tecno brega, cumbia, zouk e baile da saudade. A 99FM aparece no levantamento do Ibope como líder absoluta com 23% de participação no mercado.

Essa variedade na programação é o que garante a fidelidade de Jocivaldo Siqueira nos finais de semana. “No começo da noite do sábado ligo para escutar o bregão, saudade e tal. Depois tem o ‘Domingo, swing e cerveja’. Estou sempre sintonizado, inclusive escuto com outros parceiros aqui da feira”, conta. O programa é voltado para quem está em casa na manhã de domingo e quer ouvir os sucessos populares do momento, tanto locais como nacionais. Ao longo da programação são realizados diversos sorteios de presentes, com grande participação de ouvintes.

Os sorteios são marca registrada das rádios do Grupo RBA e já tem um público cativo, como Keila Botelho. Ela acompanha o locutor e apresentador Tonynho Santos, que usa o alto astral como carro-chefe. “Já ganhei chapéu, copo e cesta de Natal. O Tonynho sempre manda alô para todo mundo aqui na Pedreira e até apareci nas redes sociais dele”, brinca a feirante. Além da 99, outra rádio não sai da sintonia dos ouvintes da capital: a Rádio Clube do Pará. Atualmente na frequência 106,9 FM, a emissora continua com o público fiel dos tempos de AM.

Belém, Pará, Brasil. Cidade. Guilherme Guerreiro, diretor de Esporte. Rádio Clube FM completa 97 anos de fundação hoje (22). Foto: Irene Almeida/Diário do Pará

Raimundo Nonato não perde o programa do Coronel Virgulino. “Deixo ligado aqui na barraca só para ouvir a sacanagem”, relata. Além do entretenimento e informação, o esporte é a marca registrada da Clube, com seis horas diárias dedicadas a este segmento durante a semana. Nos finais de semana, quando os eventos esportivos são mais frequentes, as horas de cobertura aumentam, lideradas pela Equipe Bola de Ouro, ou o Timão Campeão do rádio paraense.

Hoje, com 93 anos de atividades, é uma emissora moderna, alinhada com o novo perfil das rádios, voltada para o jornalismo, esporte, prestação de serviço e entretenimento. O jornalismo está nas ruas diariamente, relatando fatos diversos e os problemas da cidade. A população tem abertura e participação total. Há ainda os programas de entretenimento, com realização de promoções para os ouvintes. Além dos esportes, entre os programas líderes de audiência está o Clube da Manhã, apresentado por Nonato Cavalcante.

No público das classes A e B adulto, outra rádio do Grupo RBA é a favorita: a Diário FM. Em outubro de 1998, o então operador de áudio, hoje gerente artístico da rádio, Kleber Barros, descobriu um sistema digital que assumia todas as funções de uma rádio, e cujo custo consistia apenas na aquisição de um computador. Após o período de testes, foi ao ar, em 1º de março de 1999, a rádio Diário FM, a primeira rádio a operar com sistema totalmente digital em Belém. Desde a década de 90, a emissora se consolidou para ouvintes que têm “o prazer de ouvir boa música”.

Um dos programas mais famosos é o “Hot Classics”, um show de hits que marcaram as décadas de 70, 80 e 90. Com muita nostalgia e linguagem descontraída, o programa brinca com os ouvintes sugerindo lugares, boates, lanchonetes e coisas que não existem mais, mas que estão vivas na memória do grande público. O sucesso foi tanto que em 2016, Kleber Barros e Rodrigo Mutran promoveram a primeira edição da festa de mesmo nome, que leva o público para dançar ao som de sucessos que marcaram época.

O FUTURO

Além da audiência, o rádio é o meio de comunicação mais confiável para os brasileiros, alcançando 81% de credibilidade entre os entrevistados, segundo a pesquisa “Credibilidade das Mídias” divulgada pelo Valor Econômico, em abril. Ao contrário dos pessimistas que acreditavam em um “sumiço” com a popularização da internet, o meio digital deu um fôlego ainda maior para as rádios.

O cerimonialista Rui Bastos é um ouvinte da Clube e fez parte do primeiro time de locutores da então Carajás FM, que funcionava na frequência que hoje dá nome à 99 FM. Para ele, “o rádio subiu de prateleira e com a internet você praticamente tem uma rádio com imagem”.

Testemunha dessa evolução, ele compartilhou com a reportagem histórias da época onde os telefones eram a única forma de comunicação com as rádios. “Hoje, com os celulares, a comunicação ficou muito mais dinâmica, é tudo em tempo real. O apresentador conversa com o ouvinte, recebe áudios, é tudo instantâneo”, explica. Para o futuro, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão aposta na convergência tecnológica, com ênfase na integração do rádio tradicional com plataformas digitais e novas mídias. Seja no esporte, jornalismo e entretenimento, o meio de comunicação sobreviveu há mais de 100 anos no Brasil.