NEGÓCIO

Pará leva hidromel premiado ao Startup Summit

Saúde, economia, tecnologia e uso de mel da Amazônia para fabricação de uma das bebidas mais antigas do mundo.

Pará leva hidromel premiado ao Startup Summit

Pará -
Saúde, economia, tecnologia e uso de mel da Amazônia para fabricação de uma das bebidas mais antigas do mundo. Essas ideias inovadoras marcaram a participação do Pará e de outros estados do Norte na edição de 2025 do Startup Investment Summit, promovido pelo Sebrae em  Florianópolis, Santa Catarina, que encerrou nesta sexta-feira, 29. Esse é o maior evento dedicado a discutir as melhores práticas, tendências de mercado de investimento em startups e o impacto de tecnologias emergentes e contou com a participação de 11 empreendimentos paraenses e outros 45 de estados vizinhos.

Uma das inovações apresentadas no encontro nacional foi o Hidromel Uruçun, feito com mel das abelhas nativas do Pará, que não possuem ferrão. “Em agosto a gente recebeu a premiação no Brasil Mead Cup 2025, como segundo melhor hidromel da América Latina. Mais de duas mil amostras foram recebidas e ficamos em segundo lugar”, explica a CEO da Uruçun, Ana Lídia Ribeiro, que viajou para Florianópolis com a diretora do empreendimento, Cássia Costa. A startup foi criada em 2019 e neste ano já alcançou a produção de 25 mil litros, superando a produção de 7 mil litros de 2024. 

Mais do que uma bebida premiada, o empreendimento tem impacto direto na economia do estado. “Somos uma indústria de transformação que gera emprego e renda, além de atingir, indiretamente, 300 famílias que fornecem o mel dessas abelhas para nós”, pontua Ana Lídia. A empresa é uma das associadas do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, iniciativa do Governo do Pará para potencializar os empreendimentos inovadores ligados à economia verde. O parque tem a parceria da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e gestão da Fundação Guamá.

Além do hidromel paraense, o Summit do Sebrae recebeu a Amazônia Vida Verde, de Porto Velho, capital de Rondônia, que por meio de plantas amazônicas, criou um produto capaz de reduzir os efeitos do câncer de pele, o Iturria Azala. “Tudo começou com minha vó, que foi diagnosticada com câncer de pele aos 86 anos. Durante 6 meses, ela fez um tratamento indicado pelos médicos, sem resultado. Foi aí que meu pai, biólogo e pesquisador, desenvolveu o produto, a partir de plantas da região”, explica a CEO e co-fundadora da startup, Yara Bressan. O resultado foi além do esperado: em 60 dias, a idosa estava clinicamente curada do câncer de pele.

Além do efeito positivo no combate ao câncer, o Iturria contribui para a regeneração da textura da pele, tem ação hidratante e anti inflamatória, além de combater melasmas.  O produto é 100% natural e o próximo passo é transformá-lo em sérum, produto cosmético que serve como um veículo para ingredientes concentrados que tratam a pele de forma intensiva, penetrando nas camadas mais profundas. Todo o processo é registrado pela Anvisa. “A gente capacita ribeirinhos e comunidades extrativistas que fornecem o insumo. Isso gera renda e mostra que a floresta em pé tem muito mais valor”, avalia Yara. 

Uma solução para gerir o pagamento de tributos de empresas e facilitar a rotina de empresas foi outro destaque da região Norte apresentada no evento: o Tributei, startup que nasceu em Macapá, capital do Amapá, estado vizinho. “Ao invés de pagar 100 ou 200 notas por dia, o cliente gera apenas uma remessa de pagamento, o que economiza 90% do tempo gasto com tarefas manuais”, explica Shannon Costa, Head em Gestão de Clientes da empresa. O Tributei também faz uma simulação para identificar locais mais vantajosos para compra de produtos, impactando no rendimento dos clientes.

“Em dos nossos cases, identificamos um pagamento R$ 3 mil de ICMS de forma indevida.O cliente que iria demorar até uma hora para fazer o cálculo, o fez em um minuto e viu que estava pagando impostos indevidos porque o fornecedor mandou a legislação desatualizada”, conta Shannon. Em números, a startup amapaense atende mais de 19 mil empresas em todo país e, com a ajuda da automação, auxiliou na economia de R$ 15 milhões que seriam pagos de forma indevida. O impacto foi tamanho que a empresa rompeu fronteiras e hoje conta com uma unidade presencial no estado de São Paulo, que ajuda a expandir o negócio para outras regiões. 

O que são startups? 

De acordo com o Sebrae, a startup é uma empresa nova, até mesmo embrionária ou ainda em fase de constituição, que conta com projetos promissores, ligados à pesquisa, investigação e desenvolvimento de ideias inovadoras. Por ser jovem e estar implantando uma ideia no mercado. Outra característica é possuir risco envolvido no negócio. Apesar disso, são empreendimentos com baixos custos iniciais e são altamente escaláveis, ou seja, possuem uma expectativa de crescimento muito grande quando dão certo. Algumas empresas já solidificadas no mercado e líderes em seus segmentos, como o Google, a Yahoo e o Ebay, também são consideradas startups.

O Observatório das Startups Brasileiras criado pela instituição, já mapeou mais de 20 mil empreendimentos desse modelo no país, contudo,  56,56% deles não possuem faturamento. Conhecido como “vale da morte”, esse é o período em que a startup enfrenta dificuldades financeiras, pois ainda não consegue gerar receita suficiente para atingir o ponto de equilíbrio. Para enfrentar esse problema, o Sebrae dispõe de uma plataforma para ajudar esses empreendedores em todo o país. O site é www.programas.sebraestartups.com.br