O município de Marabá, um dos principais do sudeste do Pará, completa neste sábado (5) 112 anos de emancipação político-administrativa. Com 266.536 habitantes (apesar de termos a sensação de ter muito mais) Marabá tem se consolidado com seu crescimento econômico atual, graças a quatro pilares importantes: agronegócio, mineração, comércio e serviços.
Esse crescimento econômico tem sido destaque no Produto Interno Bruto – PIB do Pará. Em 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) de Marabá era de R$ 13,5 bilhões, segundo a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas – Fapespa.
Em 2021, Marabá representou 6% do PIB do Pará, que totalizou R$ 262,9 bilhões. Nos últimos 10 anos, o crescimento nominal do PIB de Marabá foi de 291%.
E tudo isso começou há mais de 100 anos com um desbravador maranhense chamado Carlos Leitão. O coronel Carlos Leitão deslocou-se, acompanhado de seus familiares e auxiliares de trabalho, chegando em dezembro de 1894 ao sudeste do Grão-Pará, estabelecendo seu primeiro acampamento em localidade situada em terras próximas à confluência do rio Itacaiúnas. Fixaram-se definitivamente na margem esquerda do Tocantins, cerca de 10 quilômetros rio abaixo do outro acampamento, em local que foi denominado Burgo do Itacaiúnas (Burgo do Itacayúna, na grafia arcaica), em 5 de agosto de 1895.
Ao fundar o Burgo do Itacaiúnas (1895), Carlos Leitão criou um legado com o acesso ao primeiro povoado, as primeiras pessoas a criarem uma colônia no que mais tarde seria a cidade de Marabá.
O comerciante maranhense Francisco Coelho teria sido um dos primeiros a estabelecer-se no local, entre os rios Tocantins e Itacaiunas, em 7 de junho de 1898, que a princípio denominava-se “Pontal do Itacaúnas”. O objetivo era negociar com os extratores de caucho, que passando pela foz do rio Itacaiunas, navegavam pelo rio Tocantins.
Francisco Coelho deu continuidade a esse legado fundando com sua “Casa Marabá”, um barraco que mais tarde virou um comércio para abastecer a movimentada península, o encontro dos rios Tocantins e Itacaiúnas no final do século XIX, talvez ele não imaginasse que 112 anos depois a sua decisão seria um marco.
É na segunda década de sua história que Marabá teve a sua emancipação político-administrativa (1913). Conquista da população local que pressionou o então governador do Pará, Enéas Martins a criar o “município de Marabá”.
Avanços Econômicos de Marabá
Marabá já viveu diversos ciclos econômicos, cada um relevante em seu tempo, nestes 112 anos de emancipação do município. Mas desde o começo de tudo, quando havia o caucho, a castanha, passando pela borracha, o diamantes até chegar os dias atuais, Marabá teve de se reinventar para agregar seus ciclos.
Hoje, o agronegócio brasileiro se encontra em Marabá. De apenas alguns hectares de terra, passando por gigantescas pastagens, a criação de gado e o cultivo da soja se tornaram motores propulsores da economia marabaense, paraense e brasileira.
Números que Impulsionam Marabá
Historicamente, os números estão a favor de Marabá. Já vivendo clímaxs econômicos como o da borracha, do diamante, do caucho e da castanha, nestes 112 anos, a Marabá do presente comemora números importantes que a fazem se destacar a nível regional, estadual e nacional.Por exemplo, em número de empregos, Marabá se consolida como uma das cidades que mais geram emprego no Pará.
De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged, relacionado ao mês de fevereiro de 2025, Marabá está na quinta colocação, com 3.036 contratações e 2.539 desligamentos com saldo de 497 vagas.Agora em termos de dados anuais, considerando o período de março de 2024 a fevereiro de 2025, Marabá se destaca ainda mais. Foram 31.947 contratações contra 29.018 desligamentos, com saldo de 2.292 vagas, ficando na segunda colocação do Pará, atrás apenas de Belém, com saldo de 16.372 vagas.
Os maiores setores que abrem vagas em Marabá são a construção civil, o setor de serviços, o comércio e a hotelaria. Além disso, há empregos nas siderúrgicas, na mineração, na agropecuária e na chegada de soldados com a presença da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, do Exército Brasileiro, localizada em Marabá. Obras como a construção da nova ponte sobre o rio Tocantins e a expansão da exploração minerária, agregam setores como o comércio, supermercados, restaurantes, rede hoteleira, turismo, táxis e transportes por aplicativo.
O Poder do Agronegócio em Marabá
Outros números que colocam Marabá como destaque é o do agronegócio. O município já é o segundo maior produtor de gado do Pará, com 1.305.000 cabeças, atrás apenas de São Félix do Xingu, também na região sudeste do Pará, com 2,5 milhões de cabeças de gado. Os dados são da pesquisa Produção da pecuária Municipal (PPM) da Confederação Nacional dos Municípios.
De acordo com o pecuarista Maurício Fraga, presidente a Associação dos Criadores de Gado do Sul e Sudeste do Pará, Acripará, Marabá sempre esteve atrelada ao agronegócio. “No passado a extração da castanha-do-Pará foi muito importante e depois veio a pecuária que desenvolveu muito em Marabá”, declarou. “É o quinto maior rebanho entre os municípios do Brasil”, declarou.Esse quantitativo aquece também a geração de empregos por conta dos frigoríficos que operam na região e até mesmo da exportação dessa carne, principalmente para a China e Israel. “Inclusive um frigorífico que está autorizado a exportar para a China que é o maior consumidor de carne do Brasil e exporta também para Israel e outros países”, enfatizou.
Texto de Michel Garcia