VAREJO SUSTENTÁVEL

Como a construção civil brasileira avança na agenda ESG

Setor da construção civil se reinventa com foco em práticas sustentáveis e aposta na certificação EDGE para reduzir impactos e valorizar empreendimentos.

EDGE, LEED e AQUA-HQE ganham espaço como estratégias para a redução de impactos ambientais e valorização de edificações no Brasil.
EDGE, LEED e AQUA-HQE ganham espaço como estratégias para a redução de impactos ambientais e valorização de edificações no Brasil.

Pará - Os efeitos já perceptíveis das mudanças climáticas em todo mundo têm levado os diferentes setores econômicos a repensar seus processos produtivos e buscar alternativas mais sustentáveis. O cenário também inclui a indústria da construção civil que, no Brasil, está vivenciando uma transformação significativa, apostando cada vez mais em iniciativas que possibilitem avançar na agenda ESG (sigla para ambiental, social e governança corporativa). Nesta perspectiva, as chamadas certificações verdes são uma estratégia que alia essa busca pela redução do impacto ambiental pelo setor, ao mesmo tempo em que oferece benefícios diretos para incorporadoras e para a própria valorização dos empreendimentos.

Entre as certificações disponíveis no mercado, hoje, a certificação internacional EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies) possibilita a identificação de formas mais econômicas para o uso de energia, água e materiais no processo construtivo. Considerando que o investimento em edifícios verdes tem um papel estratégico para estimular o crescimento da economia de baixo carbono, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com a International Finance Corporation (IFC), membro do Banco Mundial, firmaram uma colaboração que busca disseminar o mercado de construção verde por meio da certificação internacional EDGE.

Site engineer on a construction site

De acordo com a CBIC, que destacou os benefícios da certificação na publicação Construções Verdes, o EDGE possibilita que arquitetos e engenheiros mensurem a otimização dos recursos em seus projetos. Com o software, é possível visualizar, por exemplo, como medidas de eficiência no uso de energia e água melhoram o desempenho de um edifício com pouco ou nenhum custo adicional. A partir do uso desse tipo de ferramenta – considerando que existem outras certificações voltadas para a área da construção civil -, não apenas se consegue reduzir os impactos do setor, como também se alcança um maior valor agregado à construção. “A construção sustentável é uma agenda positiva tanto para a iniciativa privada quanto para o setor público, pois hoje já existe um crescente processo de conscientização do mercado brasileiro em relação aos conceitos de sustentabilidade”, posiciona-se a CBIC na publicação. “É nesse cenário que entram as certificações. Hoje, elas fazem parte da rotina das grandes construtoras, que as incluíram no processo construtivo e enxergam a importância e os benefícios dos resultados obtidos”.

Desde a idealização do projeto, até as decisões tomadas no canteiro de obras, o EDGE possibilita a simulação considerando três categorias: consumo de energia, consumo de água e energia incorporada aos materiais. A certificação tem início ainda na primeira fase do projeto, a partir da inserção dos dados no software EDGE e da seleção das soluções sustentáveis que deverão ser adotadas. No nível 1 de certificação, o requisito é a obtenção de 20% ou mais de economia em energia, água e energia incorporada aos materiais. No nível 2 é exigido 40% ou mais nas economias em energia local, e no nível 3 deve-se alcançar 100% de energias renováveis no local ou fora do local, ou promover a compensação de carbono adquirida para alcançar 100%.

De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), até 2023 o Brasil já contava com mais de 70 empreendimentos que possuem a certificação EDGE. E além delas, existem ainda outras certificações em operação, como a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), sistema internacional e voluntário de certificação para edifícios verdes criada nos Estados Unidos e utilizado em mais de 160 países. Iniciativa brasileira, desenvolvida a partir da certificação francesa HQE™ e aplicada no Brasil exclusivamente pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini, a Certificação AQUA-HQE é mais um sistema internacional de qualificação de edifícios sustentáveis, que associa uma série de critérios como qualidade de vida, respeito ao meio ambiente, desempenho econômico e gestão e governança para um ambiente de vida sustentável.

CONSTRUÇÕES VERDES

O que caracteriza uma construção verde?

*Redução de emissões na cadeia produtiva;

*Eficiência energética das edificações;

*Uso racional da água;

*Utilização de materiais e sistemas sustentáveis;

*Gestão de resíduos sólidos;

*Viabilização do desenvolvimento sustentável no espaço urbano.

CONCEITO

Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), as construções verdes devem demandar poucos recursos (ou demandar recursos de forma inteligente, com práticas como reuso); favorecer a qualidade de vida dos usuários (sejam prédios residenciais ou empresariais) e não comprometer os custos para edificação.

Fonte: Publicação “Construções Verdes: os desafios e vantagens das construções sustentáveis” – CBIC.