A revista britânica The Economist traz na edição desta semana o ex-presidente Jair Bolsonaro como destaque de capa, com uma ilustração que mistura as cores da bandeira brasileira ao icônico chapéu usado pelo “viking do Capitólio” durante a invasão ao Congresso dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021.
A publicação dedica uma reportagem detalhada à trajetória política de Bolsonaro e à investigação que o envolve, incluindo a acusação de liderar uma suposta tentativa de golpe de Estado. Em artigo de opinião, a revista analisa o contraste entre a resposta brasileira a ameaças à democracia e a maneira como os Estados Unidos lidaram com os episódios envolvendo Donald Trump após a eleição de 2020.
Com o título “Brasil oferece aos Estados Unidos uma lição de maturidade democrática”, a Economist ressalta que, mesmo diante da pressão internacional e das críticas de Trump, o país permanece comprometido em proteger suas instituições democráticas.
A revista descreve Bolsonaro como “polarizador” e o compara ao ex-presidente americano, chamando-o de “Trump dos trópicos”. A publicação também aponta que, no julgamento marcado para 2 de setembro, o STF deve decidir sobre acusações de crimes como liderança de organização criminosa, tentativa de golpe de Estado e danos ao patrimônio público, entre outros. Bolsonaro e seus aliados negam as acusações.
A Economist destaca semelhanças entre Brasil e EUA, especialmente no fato de ambos os líderes terem sido acusados de tentar reverter resultados eleitorais, espalhar desinformação sobre fraude e incitar apoiadores a invadir prédios públicos. Porém, a revista observa que o país sul-americano responde de forma mais estruturada, em parte devido à memória histórica da ditadura militar, e que a maioria dos brasileiros reconhece as ações do ex-presidente.
O Papel do STF na Democracia Brasileira
Segundo o editorial, o Supremo Tribunal Federal tem papel central nesse processo, atuando como guardião da democracia e supervisionando uma gama ampla de direitos e obrigações. A revista aponta que reformas no STF e na Constituição são complexas, diante da polarização e de interesses políticos, mas observa que a maioria dos políticos brasileiros, de diferentes espectros, deseja seguir as regras e promover mudanças institucionais.
A publicação também comenta a interferência do ex-presidente americano, que criticou o STF e aplicou sanções econômicas ao Brasil, apontando que tais medidas provavelmente reforçam a posição do governo Lula nas pesquisas.
Esta não é a primeira vez que a Economist dedica sua capa ao Brasil. Reportagens anteriores destacaram desde o crescimento econômico do país até crises políticas recentes, incluindo críticas a governos passados e à atual gestão de Lula.
Fonte: The Economist / BBC Brasil