CRISE PROLONGADA

Multa de R$ 1,2 milhão mantém Antônio Oliveira no Remo, mas prazo de validade já expirou

O Remo segue esticando ao máximo a estadia do técnico Antônio Oliveira no Evandro Almeida. Perigosamente, diga-se.

O Remo segue esticando ao máximo a estadia do técnico Antônio Oliveira no Evandro Almeida. Perigosamente, diga-se.
O Remo segue esticando ao máximo a estadia do técnico Antônio Oliveira no Evandro Almeida. Perigosamente, diga-se.Foto: Samara Miranda/Remo

O Remo segue esticando ao máximo a estadia do técnico Antônio Oliveira no Evandro Almeida. Perigosamente, diga-se. A contratação foi errada desde o início, pelo retrospecto ruim e os salários (e multa) proibitivos, mas a insistência em manter um técnico contestado à frente do elenco é a admissão de que o projeto do acesso foi abandonado.

Na sexta-feira, 29, ainda sob os efeitos da derrota para o Criciúma, a saída do treinador foi especulada e chegou a ser admitida por fontes do clube. No meio da tarde, porém, a situação mudou: Oliveira comandou os treinamentos e a decisão foi adiada. O valor da multa (cerca de R$ 1,2 milhão) é o provável motivo do impasse.  

De toda sorte, há quem garanta que a situação está por um fio e o técnico deve ser dispensado nos próximos dias. É provável que sim, até porque é perda de tempo insistir com um profissional que não encontra soluções táticas no elenco caro e numeroso. Nada faz crer em mudança de cenário.

Quando os dirigentes anunciaram a disposição de brigar para chegar à elite, muitos duvidaram. Os investimentos provaram que o projeto era sério e ambicioso, faltou apenas combinar com as incertezas típicas da Série B. A saída repentina do técnico Daniel Paulista sabotou os planos iniciais, obrigando o clube a buscar uma solução à altura.

A laboriosa prospecção no mercado em busca de um nome capaz de conduzir o time ao acesso mostrou-se frustrada. A partir da boa campanha inicial, a impressão era de que o Remo estava bem preparado para se consolidar na disputa, ao lado de Coritiba, Goiás e Novorizontino, os principais destaques do campeonato até então.

Não foi bem assim. A opção por Antônio Oliveira foi criticada por razões mais do que óbvias: não tinha o perfil para dar continuidade ao trabalho de Daniel Paulista.

A diretoria insistiu e o resultado é o que se vê. Em 12 jogos sob o comando de Oliveira, o Remo obteve 15 pontos e não conseguiu ingressar no G4. Chega até as bordas da zona de classificação e fica por ali, sem capacidade e força para ingressar no grupo seleto.

O revés frente ao Coritiba, sétimo tropeço em casa – injusto no aspecto técnico –, veio reforçar o retrospecto ruim e mostrou que o Remo enfrenta uma crise de afirmação quando joga em Belém, como se ficasse intimidado diante da vibrante torcida azulina. Até jogadores de papel destacado na campanha esmeram-se em perder oportunidades fáceis.

Antônio Oliveira subiu nas tamancas durante a entrevista pós-jogo diante de perguntas normais sobre o desempenho da equipe. O gesto expôs a tensão interna, revelando o peso das pressões sofridas pela comissão técnica. O fato é que o prazo de validade já expirou.

Papão faz jogo do desespero em Maceió

Com 21 pontos e ocupando a lanterna da Série B, o PSC entra em campo hoje no estádio Rei Pelé precisando desesperadamente de uma vitória para aliviar a angústia gerada por 6 jogos sem vitória. Desde que Claudinei Oliveira assumiu o comando, o time não viveu um momento tão ruim.

O avanço da competição obriga o Papão a buscar uma reação para afastar o risco de rebaixamento. Para alcançar a linha mínima de segurança para não cair, 45 pontos, é preciso somar mais 24 pontos nas próximas 15 partidas. Ou seja, o time tem que vencer oito.

Claudinei enfrenta dificuldades para montar uma equipe competitiva. Tem dois bons atacantes, Maurício Garcez e Diogo Oliveira, mas não tem quem municie adequadamente a dupla, que mantém desempenho expressivo.

Não será diferente diante do CRB, que tem 31 pontos e ocupa a 11ª posição, ainda com pretensões de acesso. O time dirigido por Barroca tem altos e baixos na competição, com alguns vacilos dentro de casa.

O problema é que o PSC começa a manifestar aquela sensação de desesperança, que surge quando os resultados negativos se acumulam. A defesa será novamente testada. Claudinei ainda não definiu se usa três zagueiros (Thalisson, Thiago Heleno e Novillo) ou abraça um esquema mais tradicional, com dois defensores.

Surpreende o fato de que o volante Carlos Eduardo e o atacante João Marcos, contratados na atual janela, não foram sequer relacionados para a partida desta tarde (16h), em Maceió. Por outro lado, o atacante Edinho volta a figurar como opção para o jogo, depois de 11 meses de inatividade causada por uma lesão grave.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa a partir das 22h, neste domingo, na RBATV. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.   

Confusão no diálogo entre árbitro e cabine do VAR

O diálogo entre a equipe do VAR e o árbitro André Skettino (MG) deixou mais dúvidas do que certezas sobre a revisão do lance da penalidade marcada contra o Remo e que deu a vitória ao Criciúma. O árbitro de vídeo defende a tese de que a bola foi tocada pelos dois atletas, atacante e defensor, que estavam com os braços erguidos.

As imagens não são esclarecedoras, mas Skettino mostra hesitou em assinalar o pênalti. Na dúvida, preferiu botar a bola na marca da cal.