
Com o objetivo de fazer política de reparação e resgatar memórias dos mortos e desaparecidos durante a ditadura militar na Amazônia, a Secretaria de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEIRDH), preparou uma programação especial sobre o tema que iniciou ontem (01), com os lançamentos de livros que abordam a ditadura militar na região. O evento ocorreu no auditório da Universidade do Estado do Pará (Uepa), no bairro do Telégrafo, em Belém.
O Estado do Pará se prepara para um gesto de reparação histórica no próximo dia 10 de abril, quando haverá a entrega das certidões de óbito de 10 paraenses mortos ou desaparecidos durante o totalitarismo iniciado em 1964. O evento será promovido pela Secretaria Adjunta de Igualdade Racial e Direitos Humanos, que tem como titular a professora Edilza Fontes. Para ela, ações como esta são importantes na política de reparação, ou seja, em reconhecer que houve violação de direitos humanos.
“É o Estado reconhecendo que prendeu, torturou, matou e, em alguns casos, desapareceu com o corpo. Então, nós estamos refazendo, revisitando essa memória e produzindo isso”, ressaltou. A secretária adjunta também destacou a abordagem do contexto regional do que foi a ditadura militar na Amazônia. De acordo com ela, alguns pontos característicos são a derrubada da floresta, a expulsão de moradores ribeirinhos, e as vendas de terras públicas para a iniciativa privada.
“Isso estabeleceu, dentro da Amazônia, conflitos agrários muito fortes. A implantação de grandes projetos mineradores, que como consequência vem destruir a floresta, assim como o não respeito à demarcação de terras indígenas e seus direitos. Tudo isso resultou em conflitos agrários. Na Amazônia, a ditadura militar mudou a cara da nossa região”, ressaltou Edilza Fontes.
No livro “Dentro das Matas: As Terras de Uso Comum, a Teologia da Libertação e as Ditaduras da Amazônia”, de autoria da escritora Adriane dos Prazeres Silva, é possível mergulhar na história dos povos da floresta naquele período. Segundo a autora, quando a ditadura militar se instaurou no Brasil, esses povos tornaram-se alvo principalmente pela forma de viver com a terra, diferente do que o regime pensou para a Amazônia.
“A ditadura militar deixou um legado negativo para a Amazônia. E qual foi esse legado? Foi a derrubada da floresta, mas existia um povo que resistiu a esse processo e está aqui. É um pouco dessa história que esse livro conta de resistência. A principal reflexão é sobre como viver na floresta, resistir à ditadura e viver bem com o que a mata nos dá”, contou.
SERVIÇO
OUTRAS OBRAS E AUTORES
Estudo(s) de Problemas Brasileiros: A História de uma Disciplina Conflituosa e Vigiada (1969-1993) – Davison Hugo Rocha Alves
Ditadura Militar na Amazônia: História, Memória e Resistências – Edilza Joana Oliveira Fontes e Davison Hugo Rocha Alves (Organizadores)