
O inverno amazônico é a porta aberta para alergias e infecções respiratórias. O clima bastante úmido é o cenário ideal para a proliferação de ácaros em ambientes domésticos, favorecendo quadros de crises alérgicas respiratórias ou cutâneas. Para evitar ainda mais complicações na saúde, é preciso manter o acompanhamento médico e o tratamento da doença em dia.
De acordo com a alergista e imunologista Vanessa Pereira, a concentração da umidade relativa do ar, proporcionada pelas chuvas do inverno amazônico, faz com que aumente o número de ácaros, principais responsáveis pelo agravamento de quadros de rinite, sinusite, asma e dermatite atópica.
Na região amazônica, a espécie de ácaro “Blomia tropicalis” é muito prevalente, principalmente nesta época do ano, presente no mofo, em paredes com infiltrações, brinquedos de pelúcia, cômodas e cabeceiras de cama em tecido, bem como nos colchões e travesseiros.
“Esse ácaro nas pessoas sensibilizadas a ele causa sintomas de rinite, espirro, tosse, coceira, coriza, conjuntivites alérgicas, lacrimejamento dos olhos. Essa mucosa fica mais inflamada e, com isso, mais predisposta a adquirir infecções virais e bacterianas. Muitas das vezes, crianças e até adultos diagnosticados com dermatite atópica podem ter uma alergia de pele que piora o quadro nesse período. Devido a mudança de temperatura pode ter uma piora dessa doença de base”, explica a médica.
Por isso, pacientes diagnosticados com rinite, sinusite ou asmas causadas pelo fator alérgico aos ácaros precisam ter acompanhamento médico e em processo de tratamento dessas doenças.
“Esses pacientes precisam estar com a doença de base controlada. Se for um quadro de asma, tem que estar usando remédio e fazendo uma maior hidratação cutânea. Se mesmo em uso de todos os medicamentos persistirem os sintomas, temos hoje as terapias em tipo de vacinas para alergias. São tratamentos com imunoterapia para ácaro de três a cinco anos, em que nós vamos modificar, ensinar esses sistema imunológico a se comportar com esse padrão de doença, a ficar menos alérgico”, apontou a doutora Vanessa.
Em caso de falta de tratamento das alergias, o paciente pode sim ter uma evolução para quadros mais graves. “Estando diante de um paciente de um quadro de asma induzida por esses agentes, sim, nós temos índices consideráveis para evolução para quadros graves e até para óbito, o que acontecia muito antigamente e hoje essas ocorrências são menores, mas ainda acontece. Em casos de rinite, o paciente não tratado pode ter sintomas de sinusite e infecções virais e bacterianas. Em casos de conjuntivite alérgica, pode ter diminuição da acuidade visual e a presença de outras complicações oftalmológicas”.