A Polícia Federal (PF) realizou um estudo de segurança envolvendo a residência em Brasília do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar. A conclusão foi preocupante: ele poderia escapar do condomínio e em poucos minutos alcançar a embaixada dos Estados Unidos para solicitar asilo, conforme reportado pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
A análise, feita com o uso de drones, identificou que a propriedade possui dois vizinhos nas laterais e três aos fundos. A vigilância externa seria eficaz contra tentativas de fuga pelos muros laterais, mas deixaria vulnerável o muro dos fundos, que abre passagem para o jardim de residências vizinhas.
No cenário hipotético de fuga, Bolsonaro poderia se ocultar em um veículo de terceiros e deixar o condomínio pela portaria sem ser revistado, já que os carros não passam por inspeção. A tornozeleira eletrônica, por sua vez, não seria impedimento, especialmente porque a embaixada americana está localizada a somente cerca de dez minutos do conjunto Solar de Brasília.
Diante dessas possíveis falhas, a PF solicitou autorização para manter agentes dentro da casa 24 horas por dia, eliminando qualquer chance de evasão.
No entanto, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou essa medida em um parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele argumentou que as restrições já adotadas são suficientes e que não há necessidade de impor medidas mais severas.
Embora reconheça elementos que sugerem risco — como a existência de um pedido de asilo à Argentina no celular de Bolsonaro e a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos —, Gonet ressaltou que o monitoramento atual é adequado. Ele defendeu a adoção de precauções, especialmente diante da proximidade do julgamento da ação penal, e endossou reforço de segurança nas imediações da residência e controle de acesso ao condomínio.
A PF, por sua vez, alertou que a tornozeleira pode apresentar falhas temporárias, o que tornaria viável uma fuga, com consequências diplomáticas complexas caso Bolsonaro chegasse à embaixada americana.
Vale lembrar que o julgamento da ação penal contra o ex-presidente está previsto para ser iniciado nos próximos dias no STF.