DE Florianópolis, Santa Catarina

Climatechs: empreendimentos podem ser solução para crise climática

Este cenário promissor com a  vinda da COP30 para Belém foi tema de palestra no Startup Investment Summit.

Foto: Igor Pereira
Foto: Igor Pereira

A proximidade da COP30 transformou o Pará e o Brasil em um celeiro de oportunidades e investimentos rentáveis. Contudo, além dos empreendimentos ligados à gastronomia, hospedagem e turismo, outro ramo tem um mercado promissor à vista: as empresas e startups de tecnologia para soluções climáticas, ou climatechs.

Este cenário promissor com a  vinda da Conferência para Belém foi tema de palestra no Startup Investment Summit, nesta quinta-feira, em Florianópolis, Santa Catarina, evento no qual o Diário do Pará é o único jornal do Norte que participa.

As climatechs são negócios que oferecem soluções de impacto ambiental e social e podem ser um motor de desenvolvimento na economia da Amazônia. Esses empreendimentos incluem empresas de energia limpa, bioeconomia, gestão de resíduos e economia circular.

Segundo Pedro Correia, especialista em inovação da Climate Venture, instituição que se dedica à produção de conhecimento sobre inovação climática, o Brasil tem um grande potencial por conta de sua biodiversidade. “Temos biomas e espécies exclusivas, nativas daqui. Não se vê em outro lugar do mundo essa biotecnologia disponível para desenvolver novas soluções”, explica.

No contexto da Amazônia, o recado é claro: o bioma é um ambiente altamente rentável. O primeiro passo, segundo o especialista, é fomentar políticas públicas, parques tecnológicos ligados à universidades e atrair o setor privado que serão os investidores nessas soluções. “Tudo isso vai desenvolver o mercado nacional e vai impulsionar ainda mais a economia brasileira para que seja uma economia de baixo carbono, que possa gerar tanto prosperidade, quanto um ambiente sustentável”, pontua. 

Um estudo da Net Zero Insights, aponta que há um mercado de 4 trilhões de dólares disponíveis para financiar esses empreendimentos no mundo. Porém, em 2024, a América Latina recebeu abaixo de 1% desse valor. “Isso tem a ver com políticas desestruturadas, com falta de investimento em pesquisa e inovação e a insegurança do investidor externo. Por isso, a gente precisa criar um ambiente que seja passível a esse investimento”, reforça Correia. 

Iniciativas e Economia Verde no Pará

No Pará, uma iniciativa para potencializar os empreendimentos inovadores ligados à economia verde é o Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, Governo do Pará, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), que conta com a parceria da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e gestão da Fundação Guamá. Esse é o primeiro parque tecnológico a entrar em operação na região Norte do Brasil e visa estimular a pesquisa aplicada e o empreendedorismo inovador e sustentável para melhorar a qualidade de vida da população.

A Flex Stone é uma das startups de Belém presentes no Parque de Ciência e atua processando resíduos plásticos, que seriam descartados de forma irregular, na “brita ecológica”, destinado a construção civil sendo capaz de ser utilizado para confecção de tijolos mais baratos, contribuindo para uma economia circular.

“Eu junto o canudinho, aquela garrafa que foi usada no tucupi e a gente consegue processar tudo. É um ganho ambiental, pois vai evitar que esse material vá para os rios”, explica o CEO do empreendimento, Rodrigo Hunn, que está em Florianópolis para expor a ideia e atrair investidores do Brasil. 

O projeto conta com a parceria de uma cooperativa de recicláveis de Belém e além de contribuir com o meio ambiente, também auxilia na geração de renda para diversas famílias. “É uma solução que nasce na Amazônia, em Belém, para gerir esse resíduo plástico e garantir a empregabilidade dos catadores. A ideia é pensar no social, no ambiental e ser rentável para fechar o ciclo”, afirma Hunn.

Uma casa piloto construída com o material está em exposição no PCT Guamá para os interessados. “O valor desse tijolo é abaixo do mercado, mas o principal é o ganho social, além de um produto economicamente viável”, finaliza Ricardo Hunn. 

Serviços e Contatos do PCT Guamá

O PCT Guamá conta com mais de 30 empresas residentes (instaladas fisicamente no Parque), mais de 40 associados (vinculados ao Parque, mas não fisicamente instalados), 12 laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de processos e produtos e uma escola técnica. O Parque integra a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e International Association of Science Parks and Areas of Innovation (Iasp), e faz parte do maior ecossistema de inovação do mundo. Os contatos são: email: [email protected] e telefone (91) 3321-8900