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Câmara aprova texto-base da regulamentação da reforma tributária

Câmara cogita ampliar número de deputados para 531 após decisão do STF
Câmara cogita ampliar número de deputados para 531 após decisão do STF Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A regulamentação da reforma tributária terá uma trava para garantir que a alíquota dos novos impostos não ultrapasse os 26,5%, patamar calculado pelo Ministério da Fazenda a partir das regras propostas.

A medida foi incluída em nova versão do parecer do relator, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O texto-base foi aprovado na noite desta quarta-feira (10) pelo plenário da Câmara dos Deputados.

A inclusão dessa trava significa que, se o Congresso quiser ampliar ou conceder alguma isenção ou benefício, será preciso cortar de outro lado para evitar um aumento na alíquota padrão, paga sobre a maior parte dos bens e serviços consumidos pelos brasileiros.

O mecanismo teria validade a partir de 2033, quando os novos CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) já estiverem em pleno funcionamento.

O texto diz que, se a soma das alíquotas de referência resultar em percentual superior a 26,5%, o Poder Executivo federal encaminhará projeto de lei complementar ao Congresso Nacional para propor alteração nos descontos concedidos a bens e serviços com alíquota menor em 60% (como saúde e educação) ou 30% (caso dos profissionais liberais).

O Comitê Gestor deverá ser consultado antes do envio da proposta de mudança. O texto diz ainda que a diminuição dos descontos poderá ser linear ou diferenciada por produtos ou setores.
A preocupação com o tamanho da alíquota é o pano de fundo de diferentes impasses na reta final das negociações. O principal deles envolve a inclusão ou não das carnes na cesta básica nacional, isenta dos novos tributos.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) calcula que incluir proteínas animais na cesta básica teria um impacto de 0,53 ponto percentual na alíquota padrão. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), trabalha para que esses itens fiquem fora da isenção.

A emenda constitucional da reforma previu uma trava para a alíquota de referência, que será calculada de forma a manter estável a carga tributária. No entanto, na coletiva de apresentação do projeto, em abril, a equipe econômica explicou que o teto para a alíquota de referência não proíbe os entes de fixarem uma alíquota maior, caso julguem necessário.

O argumento do governo é que o desenho preserva a autonomia de União, estados e municípios sobre suas finanças.