
Na década de 1980, em meio ao pessimismo econômico americano após a guerra do Vietnã, um grupo nazista aterrorizou o interior de vários estados americanos, com assaltos, atentados à bomba e até assassinatos de celebridades, em nome da tal superioridade branca propagada pela ideologia de ódio surgida na Alemanha décadas antes. Os nazistas se organizavam em comunidades rurais e criavam rituais de iniciação para os membros se manterem ativos e praticarem atos de violência.
É baseado nessa história real que desenrola o thriller policial “A Ordem”, ignorado em 2024, e que chegou ao Prime Vídeo esses tempos. Estrelado por Jude Law, o trabalho de Justin Kurzel (que quase destruiu a carreira com a péssima adaptação de “Assassins Creed”) se destaca pela crueza que retrata as investigações do FBI sobre os crimes do grupo e a perversidade dos mesmos, principalmente do seu líder Bob Matthews (personagem real vivido com intensidade por Nicholas Hoult).
Aqui, a investigação é liderada por um personagem fictício, Terry (Jude Law, no limite do overracting), agente recém-chegado na região e obcecado com o trabalho, acima da família. Kurzel consegue criar um crescendo dramático interessante à narrativa, que começa tranquila e vai escalando até um desfecho mortal, apoiado por uma trilha sonora incessante e incômoda, e uma fotografia que alterna frieza e tons violentos.
O roteiro trabalha bem, também, com o jogo de gato e rato que se estabelece entre Terry e Bob, mas falha ao envolver outros personagens na equação, tirando a força dramática que poderia ter e fazendo com que o público até antecipe o que vai ocorrer de trágico em algum momento da história. E o filme também tem uma investigação que parece não ter direcionamento e levar para lugar nenhum, recorrendo a alguns Deus Ex Machina para funcionar, além de agentes de segurança que têm a pior mira desde os stormtroppers de Star Wars.
De bom, o clima de suspense policial e a oportunidade de entender como grupos de ódio se formam e se consolidam naquele país e se espalham pelo mundo. Um tema bastante atual, como podemos perceber.
PERDA
Val Kilmer é um desses atores que ficaram no nosso imaginário coletivo, principalmente entre aqueles que nasceram e cresceram na década de 1980, e os áureos tempos da Sessão da Tarde. Kilmer era um galã da época e fez sucesso em filmes como “Top Gun – Ases Indomáveis”, “Batman Eternamente”, a cinebiografia “The Doors” e o impagável “Top Secret – Superconfidencial”. Há alguns anos fazia tratamento para câncer na garganta, mas mesmo assim não parou de filmar, inclusive fazendo uma emocionante participação especial em “Top Gun Maverick”. Se foi aos 65 anos, levado por uma pneumonia. RIP dos grandes.
Confira o trailer de A Ordem: