Você

ZU-UK inscreve para residência na COP30

Companhia anglo-brasileira formada por artistas neurodivergentes e/ou com deficiência é referência em arte interativa. Ações vão privilegiar artistas paraenses.

Registro de trabalho realizado em residências artísticas anteriores da ZU-UK. FOTO: DIVULGAÇÃO
Registro de trabalho realizado em residências artísticas anteriores da ZU-UK. FOTO: DIVULGAÇÃO

Referência em arte interativa, a companhia anglo-brasileira ZU-UK está lançando duas experiências artísticas inéditas que combinam jogos, arte e tecnologia para transformar a forma como pensamos a participação cidadã no cotidiano.

Uma delas é a residência on-line ZAPLAB, cuja participação é aberta a artistas e criadores de todo o Brasil. A outra iniciativa é a imersão presencial DRIFT, a qual será realizada em Belém, focada no público da capital paraense.

As inscrições são gratuitas para ambas e estão abertas até a próxima terça-feira, 02 de setembro, através dos canais oficiais da ZU-UK, como o perfil @IamZuuk no Instagram.

Arte, tecnologia e informação para transformar

Com atuação entre Londres e Rio de Janeiro, a ZU-UK é formada por uma equipe de artistas neurodivergentes e/ou com deficiência, e se destaca pela criação de experiências que combinam arte, tecnologia e educação de forma acessível, experimental e transformadora.

A companhia estará presente em Belém para os eventos da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, quando presentará os trabalhos desenvolvidos durante as residências.

“Nosso objetivo principal é oferecer plataformas para vozes e experiências específicas de quem vive em Belém. Assim, eles poderão se apropriar das discussões da COP30 – como a parte da sociedade civil que são, contribuindo com a potência de seus trabalhos”, diz o brasileiro Jorge Lopes Ramos, cofundador da ZU-UK.

Ele completa:

A ideia é também lembrar que quem vive aqui precisa estar no centro dessas conversas sobre o clima. Afinal, são as comunidades locais que sentem primeiro os efeitos das mudanças e que têm muito a dizer sobre caminhos possíveis para o futuro”.

ZAPLAB será totalmente on-line, pelo WhatsApp

A primeira ação será o ZAPLAB, o qual será realizado entre os dias 20 e 24 de setembro de 2025. A residência será totalmente on-line e conduzida via WhatsApp. Dessa forma, o projeto vai convidar os participantes a embarcar em uma jornada interativa de cinco dias, com tarefas, mensagens e provocações enviadas diretamente no aplicativo.

De acordo com os organizadores, a proposta é transformar a comunicação digital cotidiana em um espaço de experimentação artística, afetiva e social, e assim ampliar os modos como nos conectamos e nos escutamos no ambiente virtual.

As inscrições são abertas a participantes de todo o Brasil, mas em caso de lotação, os artistas paraenses terão preferência.

Ação realizada em residência artística da ZU-UK. FOTO: ZU-UK/DIVULGAÇÃO

Residência em Belém vai discutir justiça climática

Já entre os dias 27 de outubro e 2 de novembro, acontece em Belém a residência presencial DRIFT, reunindo artistas de diferentes áreas, às vésperas da COP30. Esta atividade será realizada em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGARTES) do Instituto de Ciências da Arte (ICA) da Universidade Federal do Pará (UFPA).

O encontro propõe criar e testar intervenções que dialoguem com temas como justiça climática, convivência entre diferentes saberes e participação na vida pública. Mais do que refletir sobre esses temas, a DRIFT propõe agir diretamente sobre eles, por meio de práticas colaborativas e artísticas. Os resultados serão apresentados durante a Conferência, em novembro.

Arte para aprimorar a democracia

Para Jorge Lopes Ramos, que também é professor da Universidade de Greenwich, a arte pode ser um terreno fértil para imaginar e praticar outros modos de convivência democrática. “ZAPLAB e DRIFT não querem explicar a democracia. Elas querem vivê-la, reinventá-la, na prática. São espaços de escuta, risco e criação coletiva”, afirma.

Ambas as experiências adotam metodologias inspiradas em jogos imersivos, como o LARP, mas com foco nos processos de escuta, decisão e afeto.

Iniciativas integram rede internacional

As iniciativas fazem parte da Larpocracy, rede internacional dedicada a metodologias imersivas que testam alternativas democráticas a partir da prática artística.

O projeto Larpocracy é financiado pelo programa Horizonte Europa e conta com sete parceiros internacionais: as universidades de Uppsala (Suécia), Tampere (Finlândia) e Greenwich (Reino Unido), a própria ZU-UK, a ONG Europe 4 Youth, além dos grupos LARPifiers e Chaos League.

No Brasil, atuam como parceiros os coletivos Boi Voador, Confraria das Ideias, Coral Amarelo e NpLarp, com ampla trajetória na criação de experiências imersivas voltadas ao público latino-americano.