RECONHECIMENTO

Guitarrada: valor cultural do Brasil!

Presidente Lula sancionou lei que torna a guitarrada uma manifestação cultural nacional

Divulgação
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Pará - A guitarrada foi reconhecida nesta sexta-feira (29), oficialmente, como uma manifestação da cultura nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei Nº 15.192, que valoriza a guitarrada como expressão cultural brasileira.

Esse gênero musical instrumental surgiu no Pará, na década de 1970, e é fruto da fusão de ritmos regionais como o carimbó e o siriá, com gêneros de origem caribenha, como a cúmbia, o mambo, o merengue e o zouk. Além disso, também é considerado inspiração para outros ritmos musicais populares no Brasil, como o brega pop e a lambada.

Seu instrumento central é a guitarra elétrica, geralmente em papel solista, e o gênero também ficou conhecido como “lambada instrumental”.

O reconhecimento valoriza uma das manifestações mais populares do estado paraense surgida no município de Barcarena, a 15 quilômetros de Belém, criada pelo Mestre Vieira.

Para o ministro do Turismo, Celso Sabino, que é paraense, a decisão tem significado especial. “A guitarrada carrega a alma do povo paraense e agora ganha o devido reconhecimento como patrimônio da cultura brasileira. É motivo de orgulho para o nosso estado e reforça o papel da Amazônia como berço de tradições únicas que encantam o Brasil e o mundo”, afirma ele, que subscreve a lei junto com a ministra da Cultura Margareth Menezes.

MESTRE VIEIRA

O marco inicial da guitarrada foi o lançamento do disco “Lambadas das Quebradas”, em 1978, de Mestre Vieira, considerado o primeiro a apresentar temas instrumentais para guitarra, valorizando ritmos amazônicos e caribenhos. E como o próprio nome já diz, é a guitarra que dita a melodia central da manifestação cultural. As apresentações são comandadas predominantemente por um solista.

Mestre Vieira teve seu trabalho influenciado pelo choro ainda criança. Os primeiros contatos com a guitarra elétrica aconteceram nos anos 1970, após ter passado por uma série de instrumentos de corda, como bandolim, banjo, cavaquinho, violão e além dos instrumentos de sopro.

Ele gravou 18 discos ao longo da carreira e é considerado por muitos músicos e pesquisadores um dos pilares da música paraense.

Na sequência, surgiram nomes como os mestres Curica e Aldo Sena, que, ao lado de Vieira, influenciaram toda uma geração musical. Em 2003, o álbum Mestres da Guitarrada, idealizado e produzido pelo guitarrista Pio Lobato e lançado pela Funtelpa (rádio e TV Cultura do Pará), projetou nacionalmente o estilo e consolidou-o no cenário brasileiro.

Em 2023, a Assembleia Legislativa do Pará já havia aprovado o projeto de lei que define o dia 29 de outubro como Dia Estadual da Guitarrada – a data celebra o aniversário de Mestre Vieira, falecido em fevereiro de 2018, aos 83 anos.

EXPOENTES

Entre os expoentes do gênero, também chamados de “guitarristas da primeira geração da lambada” (anos 1970 a 1990), destacam-se: Mário Gonçalves (irmão de Pinduca), Solista Solano, João Gonçalves, Oséas (ex-integrante do grupo Lambaly), Magalhães, André Amazonas, Barata (irmão do tecladista Manoel Cordeiro), Didi (músico de estúdio do selo Gravasom nos anos 1980) e Marinho, conhecido como “guitarra de ouro”. Com o reconhecimento nacional, a guitarrada se firma como gênero musical paraense e brasileiro.

*Com informações de Agência Brasil (Marcos Euler) e Ministério do Turismo