Nos últimos minutos dessa quinta-feira, 28, Gaby Amarantos lançou, em seu YouTube, “Rock Doido: O Filme”. O audiovisual, um plano sequência de 25 minutos totalmente gravado na periferia de Belém, integra o novo projeto da cantora, completado com o álbum homônimo, já em todas as plataformas de música nesta sexta-feira.
O filme entrega o caminho proposto por Gaby em sua narrativa musical – primeiro projeto depois do premiado “TecnoShow”, vencedor do Grammy Latino em 2023 -, onde uma mulher endividada busca encontrar soluções para os seus problemas e decide sair e se divertir. Afinal, diante das injustiças da vida não existe transgressão maior do que seguir sendo feliz.
“Ela vai para o rock, ela vai meter o louco. E ir para o rock é sair, é dançar, é se divertir, é beber, é esquecer dos problemas e viver”, lembra Gaby aos desavisados que ainda não pescaram a gíria mais que paraense.
Assim como essa alegria teimosa, Gaby diz que “Rock Doido”, o álbum, não tem como ser resumido. “Ele tem que ser expandido. E o Rock Doido não se explica. Não tem como explicar o que é o Rock Doido. É algo que precisa ser sentido e ser vivido.”
Objetivamente, o álbum traz 22 músicas, entre elas, “Dá-lhe Sal” e “Te Amo Fud*d*”, esta última com a participação de Viviane Batidão, que Gaby já lançou como singles. Se ela sentiu a cobrança na hora de produzi-lo, depois de um álbum com tanta repercussão como “TecnoShow”? A resposta vem negativa:
“Eu não tive nenhuma autocobrança, porque eu já passei por um processo muito grande quando eu lancei o meu primeiro álbum, o ‘Treme’, e ele foi extremamente premiado, foi o álbum mais premiado de 2012. Levei nove anos para lançar o meu segundo álbum, o ‘Purakê’, porque me deixei sucumbir por essa cobrança. E aí o ‘Tecno Show’ veio tão despretensiosamente, levou esse Grammy, que eu falei, daqui para frente eu vou fazer tudo o que eu quiser e chega de cobrança. Então, o ‘Rock Doido’ vem livre, vem leve, ele vem pesadão, porque ele vem trazendo a força dessa energia criativa do audiovisual, mostrando a nossa potência”, diz ela.
Gaby acredita que não deixa de ser uma resposta nortista à “tanta xenofobia por conta dessa COP que a gente vai receber”. “O ‘Rock Doido’ é uma resposta para essas pessoas, olha como a gente é tão incrível que a gente fez esse projeto audiovisual, um plano sequência na periferia gravado de celular, sem política pública. A gente fez esse projeto incrível. A política pública é a Amaranto Deleva, que é a minha empresa, eu sou CEO da minha empresa, eu invisto na minha própria carreira e a gente decidiu fazer esse trabalho. Ele é uma grande resposta para essas pessoas que subestimam as pessoas nortistas para mostrar a nossa potência do audiovisual, da nossa dança, da nossa música, dos nossos artistas, aparelhagens, carretinhas, grupo folclórico, quadrilha junina, nessa grande maniçoba cultural que é o rock doido”, cutuca.
E Gaby está especialmente orgulhosa de “Rock Doido – O Filme”, que ela assistiu junto com seus fãs, ontem, numa after party depois de um lançamento para a imprensa em Belém, no Palacete Faciola. “Partiu de mim esse desejo de fazer um plano sequência. ‘Xirley’, meu primeiro clipe, é um plano sequência cortado em quatro. Pro ‘Rock Doido’ eu imaginei, a gente tem que fazer uma coisa mais inovadora. Então vamos fazer um filme de 25 minutos e vamos contar um pouco da história desse álbum para que depois as pessoas queiram ir ouvir o álbum. O álbum tem outras músicas especiais que não têm no filme. E aí eu me juntei aos meninos do [aparelhagem] Altar Sonoro, o Gui e o Naré, que são meus diretores. E nós produzimos junto com uma galera que se envolveu nesse projeto. Esse filme mostra a força do nosso audiovisual e principalmente acho que a força de uma comunidade quando se une para fazer algo. A gente juntou um time maravilhoso e acho que 95% da nossa produção são pessoas do Norte, são de vários lugares do Pará”.