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Os movimentos das periferias são temas recorrentes nas universidades, em diversos aspectos. Patrimônio Cultural Imaterial do Pará, desde 2022, as festas de aparelhagem são amplamente estudadas pelos acadêmicos, mas ganham um recorte diferente na exposição “Aparelhagem: o Fenômeno da Amazônia”, aberta à visitação até março deste ano, na Faculdade de Artes Visuais (Fav) da Universidade Federal do Pará (UFPA), Campus Guamá.
“A exposição busca retratar as vivências das festas de aparelhagens a partir da perspectiva dos trabalhadores, montadores e frequentadores das festas que embalam as casas de show na cidade de Belém”, explica Maria Eliza, estudante da turma de 2021 do curso de bacharelado em Museologia da UFPA. A exposição é fruto de um ano e meio de pesquisas desenvolvidas pelos alunos do curso em três disciplinas.
“As aparelhagens fazem parte da identidade cultural do povo paraense. Quem nunca ouviu falar em Baile da Saudade ou um ‘Rock Doido’, por exemplo? A exposição reúne obras de artistas paraenses que trabalham com a temática das aparelhagens, além de sons, cores e o acervo que convidam o público a experimentar o que é estar em uma festa de aparelhagem”, completa Maria Eliza.
A mostra pode ser visitada de forma gratuita. Dentro da programação, uma roda de conversa ocorre nesta quinta-feira, 27, das 14h às 17h, no miniauditório da Fav. Intitulado “Fenômeno das aparelhagens: memórias, narrativas e vivências em festas”, o encontro tem como objetivo explorar a vivência dos convidados a respeito das festas, trazendo suas experiências, pesquisas e histórias.
Os convidados são: Mileide Barros, uma das artistas da exposição e mestranda do Programa de Pós-graduação em Artes/UFPA; Luan Sacramento, dançarino e professor de dança; o cantor, compositor, produtor cultural e membro da Gang do Eletro, Marcos Maderito; e o museólogo Wanderson Amorim.
O estudante de Museologia Edvaldo Souza será o mediador do evento. Ele antecipa que serão abordados, no encontro, a relevância artística e museológica desses espaços socioculturais. “Falaremos sobre o recorte antropológico nas pesquisas realizadas com pessoas que frequentam, trabalham e que vivem a cultura das aparelhagens”, diz.
“Na exposição, pesquisamos o impacto das vivências na cultura das aparelhagens, onde a ideia é visibilizar essas pessoas e diminuir o preconceito, seja dentro da academia ou nos museus”, afirma Edvaldo.
Maria Eliza comenta que a ideia da mostra foi motivada após ela mesma ter tido contato com uma festa de aparelhagem. “Fui dar um passeio em Icoaraci com amigos e, quando passamos de ônibus em frente a uma casa de shows, estava tendo uma festa de aparelhagem. Veio o estalo de fazer a exposição. No dia seguinte, apresentamos a proposta para o restante do grupo. Todos receberam bem a ideia e começamos a desenvolver as pesquisas e os primeiros esboços”, conta a estudante, cuja proposta recebeu a maior votação dentre as outras apresentadas pela turma.
Ela conta que a experiência de trazer um tema que é proveniente das periferias de Belém para um lugar acadêmico tem sido incrível. “Cada visitante tem uma experiência individual durante a visitação. Mas é muito legal acompanhar e conversar sobre as vivências de cada um com a festa. A exposição tem como objetivo experienciar a vivência de uma festa, trazendo sons, cores e objetos que despertem o sentimento do que é estar na festa propriamente dita. Além de trazer uma festa que foi durante muitos anos marginalizada para dentro da universidade, trazendo novas perspectivas dos públicos e dos curadores”, relata Maria Eliza.
As aparelhagens são consideradas patrimônio cultural imaterial do Pará desde 2022 e vêm ganhando grande destaque nacionalmente e internacionalmente. “Os primeiros registros de aparelhagens surgiram por volta da década de 1940, como forma de diversão das pessoas que moravam nos bairros periféricos de Belém e não tinham acesso aos clubes, que eram extremamente elitizados. Por muito tempo as aparelhagens eram marginalizadas pela alta classe de Belém. É uma festa, um ritmo e uma estrutura que nasceu na periferia, para a qual foi feita”, considera a estudante.
VISITE
l Exposição: “Aparelhagem:
O Fenômeno da Amazônia”
Quando: Até 07/03, com visitação de segunda a sexta, de 09h às 17h.
Onde: Faculdade de Artes Visuais-Fav/UFPA (R. Igarapé Tucunduba, 794-882 – Campus Guamá, Belém).
Quanto: gratuito.
l Roda de conversa
“Fenômeno das aparelhagens: memórias, narrativas e vivências em festas”
Quando: Quinta, 27/02, das 14h às 17h.
Onde: Miniauditório da Faculdade de Artes Visuais da UFPA, Guamá. (2º andar do prédio anexo).
Inscrições: instagram.com/ expoaparelhagem/
Para se inscrever, é preciso acessar o link disponível na biografia do Instagram, no perfil @expoaparelhagem.
Quanto: A inscrição é gratuita.