SAÚDE AUDITIVA

Zumbido no ouvido pode indicar problemas sérios de saúde

Conforme dados da Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde, estima-se que mais de 28 milhões de pessoas no país já tenham sentido esse desconforto.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Um chiado, apito ou som que não desaparece. Esse é o relato de milhões de brasileiros que convivem com o zumbido no ouvido. Conforme dados da Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde, estima-se que mais de 28 milhões de pessoas no país já tenham sentido esse desconforto. Apesar de muitas vezes ser encarado como algo passageiro, pode esconder condições de saúde mais sérias e merece atenção.

Ainda, o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) traz o percentual apresentado pela Organização Mundial de Saúde (OMS): cerca de 20% da população mundial têm algum grau de deficiência auditiva ou sofre com zumbido.

Além do incômodo e, se não tratado o quanto antes, o zumbido pode indicar tumores, alterações vasculares ou doenças do ouvido interno. Segundo o otorrinolaringologista Henrique Furlan, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, o zumbido não é uma doença em si, mas um sinal de que algo não está bem. “O zumbido é apenas um sintoma, não o problema. Pode ter causas simples, como acúmulo de cera, mas também pode apontar condições que exigem atenção médica imediata”, explica.

Entre os fatores mais comuns estão a perda auditiva natural do envelhecimento, infecções, exposição prolongada a ruídos intensos, infecções, disfunções da articulação temporomandibular (ATM), problemas circulatórios e , além disso, o estresse e ansiedade podem piorar o quadro. A exposição frequente a ruídos intensos também é uma das grandes vilãs – e nisso os fones de ouvido, sobretudo os intra-auriculares – que direcionam o som diretamente ao tímpano.

 “A exposição prolongada a sons acima de 85 decibéis já é suficiente para causar perda auditiva progressiva e irreversível”, alerta Furlan. Ele recomenda preferir modelos externos com cancelamento de ruído e seguir a regra 60/60: ouvir no máximo a 60% do volume por até 60 minutos, fazendo pausas.

Sinais de Alerta e Quando Procurar Ajuda

O médico destaca que é preciso ficar atento a sinais de alerta. Procurar ajuda especializada é essencial quando o zumbido aparece de forma repentina, dura vários dias, ocorre apenas em um dos ouvidos, vem acompanhado de tontura, dor ou secreção, ou segue o ritmo dos batimentos cardíacos.

“Esses sinais podem indicar problemas mais sérios, como a Doença de Ménière, surdez súbita ou até mesmo tumores benignos, como o schwannoma vestibular, também conhecido como neuroma acústico, que, além da audição, pode afetar também o equilíbrio”, reforça.

Além do risco de doenças mais graves, o zumbido persistente pode comprometer a rotina do paciente, causando irritabilidade, dificuldades de concentração, ansiedade, insônia, dificuldade de concentração e até depressão.

Tratamentos e Perspectivas para o Zumbido

“O mais importante é não ignorar um zumbido quando ele persiste e interfere na qualidade de vida”, pontua o especialista. Apesar da preocupação, há boas perspectivas quando o problema é investigado a tempo. O tratamento depende da causa identificada e pode incluir desde simples remoção de cera acumulada, uso de aparelhos auditivos e terapias sonoras, até medidas mais específicas para casos complexos. “Quanto antes for avaliado, melhores as chances de tratamento e recuperação”, finaliza.