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Notívagos são mais vulneráveis à depressão, segundo estudo

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Pesquisadores da Universidade de Surrey, na Inglaterra, tentam explicar a correlação entre ficar acordado até tarde regularmente e ter um risco aumentado de depressão em um novo estudo. Aqueles que costumam ficar acordados até tarde são chamados pelos cientistas de pessoas com cronótipos noturnos, enquanto os que acordam cedo são chamados de indivíduos com cronótipos matutinos.

Os pesquisadores coletaram dados de 546 estudantes de graduação com idades entre 17 e 28 anos, de abril de 2021 a março de 2023, usando um questionário on-line – 31% dos participantes eram homens, e 68% eram mulheres.

Os voluntários descreveram diferentes facetas de seu ciclo de sono, como: o pico de energia, transtornos alimentares, níveis de depressão, práticas de atenção plena e consumo de álcool.

Quase metade dos participantes foi classificada como noturna e apresentou significativamente mais sintomas depressivos, maiores níveis de transtornos alimentares e maior consumo semanal de álcool.

“Nossa pesquisa revelou que a relação pode ser explicada pelo fato de pessoas notívagas relatarem níveis mais baixos de atenção plena no dia a dia, bem como qualidade de sono geralmente inferior e maior consumo de álcool”, disse o psicólogo e autor do estudo, Simon Evans, à Newsweek.

De acordo com o pesquisador, esses três fatores pareceram explicar por que os notívagos relatam mais sintomas de depressão.

As pessoas com cronótipos noturnos também apresentaram qualidade de sono significativamente pior, o que pode ser explicado pelo jet lag social e pelo acúmulo de dívida de sono, aquele efeito de parecer que não dormiu o suficiente. Segundo o estudo, pessoas matutinas agem com mais consciência por causa de sua tendência a dormir melhor e ter menos fadiga ou desatenção.

“A depressão é um problema de saúde sério que afeta muitas pessoas no mundo todo. Ela impacta o funcionamento diário e pode afetar o trabalho e a educação de uma pessoa. Além disso, aumenta o risco de desenvolver outras condições de saúde sérias, incluindo doenças cardíacas e derrame”, disse o pesquisador.

Evans afirma ainda que é necessário adotar estratégias para incentivar maior atenção plena (como meditação guiada e exercícios de atenção plena), melhor qualidade do sono e menor consumo de álcool.

Adaptar horários ou educacionais pode ser útil, segundo o pesquisador, visto que a má qualidade do sono foi identificada como um fator importante no risco de depressão. Ele sugere que começar a estudar mais tarde pela manhã permitiria que os alunos dormissem mais e, portanto, melhor.

(AG)