DOENÇA SILENCIOSA

Crescimento do diabetes tipo 2 alerta a saúde pública no Brasil

Idade acima de 40 anos, com sobrepeso, sedentários e com maus hábitos alimentares são características desses pacientes.

O diabetes possui uma série de subtipos, sendo os tipos 1 e 2 os mais comuns
FOTO: MARCELO CAMARGO / AGÊNCIA BRASIL

O Brasil tem quase 17 milhões de pessoas com diabetes. Deste total, mais de 90% correspondem ao diabetes tipo 2 (DM2), conforme dados do Atlas do Diabetes de 2025, da International Diabetes Federation (IDF). O país ainda ocupa o 6º lugar no mundo em número de casos.

O diabetes tipo 2, que se caracteriza pela produção insuficiente de insulina. Idade acima de 40 anos, com sobrepeso, sedentários e com maus hábitos alimentares são características desses pacientes. No entanto, especialistas observam um aumento no diagnóstico de DM2 em populações mais jovens.

Alerta sobre o crescimento do diabetes tipo 2

“O crescimento do diabetes tipo 2 é um alerta de saúde pública no Brasil. Os números do Atlas do Diabetes de 2025 revelam a urgência de abordarmos não apenas o tratamento, mas, principalmente, as causas subjacentes, como o sedentarismo e a alimentação inadequada, que estão impulsionando essa epidemia”, afirma a endocrinologista Lorena Lima Amato.

Na maioria das pessoas, o diabetes tipo 2 não apresenta sintomas e a doença é diagnosticada em exames de rotina, como o de sangue que mede a glicemia. “Os sintomas costumam surgir depois de anos que a pessoa já tem diabetes e não faz o tratamento, muitas vezes por não saber ser portador da doença. Entre os sintomas estão o aumento da sede, volume urinário elevado e perda de peso inexplicada”, alerta.

Diagnóstico e prevenção

O diagnóstico e a prevenção é feito por meio de exames de glicemia, como a glicemia de jejum ou após o teste de sobrecarga de glicose. A boa notícia é que a prevenção e o manejo do diabetes tipo 2 podem ser significativamente influenciados por mudanças no estilo de vida.

“O primeiro e mais impactante passo para o controle do diabetes é a adoção de um estilo de vida mais saudável. Isso envolve não apenas reduzir as atividades sedentárias e aumentar a prática de exercícios físicos regulares – como caminhada, corrida ou natação – mas também incorporar atividades espontâneas ao dia a dia, como subir escadas em vez de usar elevadores”, conta Lorena.

A endocrinologista ressalta a importância de uma alimentação consciente: “A mudança alimentar não deve seguir dietas da moda, mas sim focar na redução da ingestão calórica, diminuir o consumo de carnes gordas e embutidos, e aumentar a ingestão de fibras, através de grãos integrais, leguminosas, hortaliças e frutas. Limitar o consumo de bebidas e comidas açucaradas é igualmente fundamental”, orienta.

Tratamento

No último ano, o tratamento do diabetes tipo 2 ganhou reforço com as canetas Ozempic, Mounjaro e a mais recente e fabricada no Brasil- a Lirux.
“O Mounjaro, representa um avanço significativo no tratamento do diabetes. Esta medicação, conhecida como tirzepatida, combina análogos do GLP-1 com a molécula GIP em uma única estrutura. Esta associação se mostrou superior na perda de peso e controle da glicemia em comparação ao uso isolado de semaglutida (Ozempic)”, explica a endocrinologista.