REVITALIZAÇÃO

Parque Soledade avança em restauração e ganha novas áreas revitalizadas

O Parque Cemitério Soledade, no bairro de Batista Campos, voltou a ser palco de celebração da história e da preservação do patrimônio neste sábado (30).

BELEM-PARA-BRASIL-30-08-2025-FOTOS ANTONIO MELO-( ENTREGA-SEGUNDA ETAPA-PARQUE SOLEDADE-ID-938751)
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O Parque Cemitério Soledade, no bairro de Batista Campos, voltou a ser palco de celebração da história e da preservação do patrimônio neste sábado (30). O espaço, que já se transformou em um dos principais símbolos da memória arquitetônica e cultural de Belém, recebeu a entrega da segunda etapa de seu processo de restauro, ampliando a experiência de quem visita o local e reafirmando o valor da preservação como ferramenta de identidade e desenvolvimento.

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A obra foi conduzida pela Universidade Federal do Pará (Ufpa), por meio do Laboratório de Conservação, Restauração e Reabilitação (Lacore), com financiamento de R$7 milhões repassados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Nesta fase, foram restaurados 150 túmulos, mausoléus e remanescentes de duas irmandades, além do pórtico da capela e da conservação preventiva de elementos já recuperados anteriormente.

A programação de entrega contou com uma aula “ao ar livre” do professor historiador Michel Pinho, contando sobre todo o período em que o cemitério foi instalado e sobre a sua musealização. Além disso, uma feira criativa e apresentação musical com Quinteto Caxangá.

Para o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, o projeto vai além da revitalização arquitetônica. É uma parceria entre governo e universidade. Conforme o reitor, são cerca de 40 alunos por turmas anuais, mas a mobilização de professores, entre outros, houveram em torno de um pouco mais de 200 pessoas no processo.

“A universidade entra com a parte técnica, com a parte histórica. Temos uma faculdade e um mestrado em Restauro, e atuamos em várias ações de revitalização do Centro Histórico. Esse trabalho é importante não só pelo resultado em si, mas porque é uma escola. Os nossos alunos aprendem na prática, junto com os professores, e isso inclui também a compreensão histórica e antropológica do nosso Estado”, afirma.

A superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos, reforçou que o Soledade ultrapassa a função de um cemitério. “Essa entrega traz a revitalização maior do Parque Cemitério Soledade, que não pode ser visto apenas como um ambiente de tristeza. Hoje ele é um instrumento de cultura e história”.

Ela ressaltou ainda que o espaço tem se consolidado como um polo de atividades culturais, com atrações como a “Noite no Museu”, oficinas de educação patrimonial e apresentações artísticas, que aproximam centenas de pessoas da história local. “O Soledade conta um momento único da nossa história, marcado por uma epidemia que atingiu o Brasil inteiro. É um espaço que se transforma em museu a céu aberto e que devolve memória e identidade para a população”, completou.

A Secretaria de Estado de Cultura (Secult) é responsável pela administração do parque e acompanha as etapas da obra. Durante a primeira etapa do restauro, entre 2021 e 2023, a Secult destinou cerca de R$ 16 milhões em recursos próprios, o que possibilitou a recuperação de 126 estruturas da arquitetura mortuária, incluindo túmulos, mausoléus e o cruzeiro, além da abertura de uma nova entrada no espaço.

Segundo Rebeca Ribeiro, diretora do Departamento de Patrimônio, Histórico, Artístico e Cultural do Pará (Dphac), a entrega simboliza um marco para a cidade. “Estamos falando de uma obra monumental. O Soledade ocupa mais do que o tamanho de um quarteirão e abriga mais de 300 túmulos e mausoléus. Por isso a necessidade de dividir em etapas”, explicou. 

Na primeira, ela lembra que a prioridade foi a infraestrutura e alguns túmulos centrais. “Agora, avançamos para mais de 100 novas estruturas restauradas, incluindo o Mausoléu da Família Pombo, que estava em risco de desabamento e exigiu um trabalho de reestruturação profunda. A terceira etapa contemplará a capela central e outros mausoléus, para que o Soledade, pela primeira vez na história, seja totalmente restaurado”, detalhou.

Quem visita o espaço também sente de perto a diferença. A assistente social Cristiane Santos, de 42 anos, saiu de Ananindeua para acompanhar a entrega. “Eu acho que aqui é um patrimônio cultural que a gente precisa valorizar. Belém está nesse processo super importante de abrir o patrimônio para a população. A gente não consegue olhar um cemitério como um espaço museal, mas a forma como o Soledade tem sido divulgado instiga as pessoas a visitar”, comentou.