Celulares quebrados, televisores fora de uso e até cabos emaranhados que estavam esquecidos em gavetas ganharam destino certo neste sábado (30). A Praça da República, no bairro da Campina, foi transformada em ponto de coleta para resíduos eletroeletrônicos e eletrodomésticos. A ação faz parte da iniciativa Rumo à COP 30 com a “Primeira Campanha de Arrecadação dos Resíduos Eletroeletrônicos”, organizada pela Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (Abree), em parceria com o Governo do Estado e a Prefeitura de Belém.
Durante todo o dia, moradores puderam entregar equipamentos fora de uso em um sistema de drive-thru. Estruturas em tendas foram montadas na rua da Paz, ao lado do Theatro da Paz, para receber os descartes e orientar a população sobre a importância do reaproveitamento de materiais como plástico, metal e vidro. Segundo a Abree, a proposta é estimular a economia circular e contribuir para que Belém avance no compromisso ambiental em preparação para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30).
O diretor presidente da Associação, Robson Esteves, destacou o impacto da mobilização. “A Abree é uma associação que representa 56 empresas da área, e nós somos responsáveis por fazer a logística reversa de resíduos de eletroeletrônicos de uso doméstico. Todo mundo tem em casa um eletroeletrônico que já não funciona, e como descartar isso? A Abree faz todo esse processo”, afirma.
A mobilização de sábado contou com cerca de 15 pessoas. “A gente está exatamente trazendo para Belém essa conscientização hoje na Praça da República, mas ontem estivemos em Mosqueiro, em cinco escolas municipais, onde fizemos uma gincana para conscientizar os alunos. Foi a primeira vez que realizamos esse tipo de campanha em Belém e está sendo um sucesso”.
O advogado Gilson Figueira, de 54 anos, foi um dos primeiros a participar. Morador de Batista Campos, ele levou câmeras, cabos e até um netbook guardado há anos. “A gente se apega por conta do grande esforço que a gente teve para conseguir. E de repente elas se tornaram obsoletas e a gente parte para outras coisas mais modernas, que também não são baratas”. Mas, o que move toda essa conscientização é o foco na sustentabilidade, no meio ambiente. “A partir desses conceitos é que a gente tem essa perspectiva de melhorar o mundo, de trazer coisas novas. Reciclar é um deles”, comentou.
Marcelo Galvão, técnico de ensino fundamental da Secretaria Municipal de Educação de Belém (Semec), lembrou as atividades educativas em escolas de Mosqueiro. “A ação fez com que os alunos se tornassem conscientes do descarte adequado de resíduos eletrônicos, que muitas vezes são jogados em lugares inapropriados. As escolas receberam doações da comunidade, reuniram o material e ainda foram premiadas pelo empenho. Queremos que essa prática se torne um legado e que essas crianças perpetuem essa boa prática por muitos anos”.
O governo do Estado também esteve à frente da ação, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará (Sedap). “O lixo eletroeletrônico acaba muitas vezes descartado de forma irregular, dentro de entulho ou até lixo hospitalar, por exemplo. Isso aqui faz parte de mais uma iniciativa do Estado, um conjunto de ações que visam identificar práticas corretas ambientalmente”, disse o diretor de desenvolvimento agropecuário, Marcos Grande.
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COMO CONTINUAR DESCARTANDO
Além do ponto de coleta deste sábado, a Abree deve manter locais permanentes para descarte em Belém. Conforme Esteves, não é necessário nenhum cuidado mais trabalhoso com o item que será doado. Os materiais aceitos, “a gente diz que o eletroeletrônico e eletrodoméstico é aquilo que você liga na tomada ou tem pilha, então, aceitamos todo tipo de eletroeletrônico, eletrodoméstico e acessórios”. E não tem perigo de algum dado esquecido dentro do aparelho ser violado. “Não tem risco com dados pessoais, porque todo material é triturado e separado”, frisou.
Para doar, basta acessar o site da associação (www.abree.org.br) e digitar o CEP para localizar o endereço mais próximo. “Plástico, metal e vidro voltam para a economia circular. Hoje fazemos uma ação mais ampla, mas diariamente os pontos de entrega estão disponíveis”, ponderou.