EVENTRO PRÉ-COP30

Começa em Belém I Encontro Nacional de Comunicação Indígena

O evento tem como um de seus principais objetivos a construção de um plano estratégico de comunicação para a COP30.

Foto: Celso Rodrigues/ Diário do Pará.
Foto: Celso Rodrigues/ Diário do Pará.

A Casa Maraká, no bairro de Nazaré, em Belém, se transformou nesta quinta-feira (28) em palco de um marco histórico para os povos originários: a abertura do I Encontro Nacional de Comunicação Indígena (ENCI), que reúne cerca de 100 comunicadores indígenas de todos os biomas do Brasil. O evento segue até domingo (31) e tem como um de seus principais objetivos a construção de um plano estratégico de comunicação para a Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP30, que será realizada em novembro deste ano em Belém.

Mais do que um espaço de formação e troca de experiências, o encontro marca o início de uma articulação nacional voltada à consolidação de uma rede de comunicadores indígenas, fortalecendo a autonomia na produção de conteúdos e na defesa dos territórios por meio da comunicação própria. Realizado pela Mídia Indígena, em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o evento reúne participantes previamente selecionados por meio de um mapeamento feito nas redes sociais. A proposta é destacar comunicadores que atuam diretamente em seus territórios e ampliar sua presença para além das redes, alcançando grandes debates públicos nacionais e internacionais.

I Encontro Nacional de Comunicação Indígena

Protagonismo indígena na comunicação

Para Beka Munduruku, vice-secretária da Mídia Indígena e uma das organizadoras do encontro, o momento simboliza um avanço importante na luta por autodeterminação dos povos originários também no campo da comunicação. “Esse é o primeiro encontro de comunicadores indígenas do Brasil, algo que a gente vinha preparando há muito tempo. A ideia é fortalecer os comunicadores da base e garantir esse reconhecimento, para que a gente fale por nós mesmos, com nossa voz, nossa vivência e nossa visão de mundo”, explicou.

Segundo ela, o encontro também celebra os 10 anos da Mídia Indígena, organização criada em 2015 e que se tornou referência nacional na articulação de comunicadores indígenas. Durante os cinco dias, temas como uso das redes sociais, combate à desinformação, estratégias de denúncia e visibilidade serão debatidos em mesas, oficinas e rodas de conversa. “É important falarmos sobre a COP30, o que ela representa e como podemos nos preparar para ela com uma comunicação eficaz, coletiva e conectada com a realidade dos territórios”, acrescentou Beka.

Participantes e programação do ENCI

Participações de peso

A programação do ENCI conta com nomes de destaque da política e da comunicação indígena, como a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, a deputada federal Célia Xakriabá, a enviada especial da COP30 Sineia Wapichana e Kleber Karipuna, coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

Além deles, comunicadores do coletivo Mídia Indígena, jornalistas, cineastas e pesquisadores também participam, compondo um ambiente diverso de saberes, culturas e estratégias. A secretária estadual dos Povos Indígenas do Pará, Puyr Tembé, ressaltou o papel fundamental do evento na construção de um legado indígena dentro e fora da COP30. “Esse momento é muito rico. Não se trata só de resistência, mas de protagonismo. Os povos indígenas estão mostrando que têm voz, conhecimento e propostas reais para enfrentar as mudanças climáticas e pensar o futuro da humanidade”, destacou.

Dividido em cinco eixos centrais — memória e identidade da comunicação indígena, formação técnica e política, articulação em rede, estratégias para a COP30 e campanhas de impacto —, o encontro também oferece oficinas práticas de produção audiovisual, entrevistas e acervos.

O ponto alto da programação é a construção coletiva do plano de cobertura indígena para a COP30. A proposta é garantir que as vozes dos povos originários sejam ouvidas e respeitadas no debate climático global, com estratégias voltadas às mídias sociais, à imprensa e às mobilizações territoriais.

Foco na Juventude e Novas Mídias

Juventude indígena em destaque

A influenciadora Mari Wapichana, do povo Makuxi e Wapichana, veio de Roraima para participar do encontro. Atuante nas redes sociais com foco em cultura, beleza indígena e questões territoriais, ela celebrou o espaço de fortalecimento e troca. “Muita gente ainda acha que indígena que usa celular ou vive em contexto urbano deixa de ser indígena. Esse encontro prova o contrário: mostra que, independentemente de onde estivermos, seguimos sendo indígenas e usamos a tecnologia como ferramenta de luta e visibilidade”, afirmou.

Segundo Mari, o evento é uma oportunidade histórica de articulação entre fotógrafos, jornalistas, criadores de conteúdo e comunicadores tradicionais. “Estamos todos aqui aprendendo, ensinando e construindo juntos uma comunicação mais justa, representativa e conectada com a realidade dos nossos povos”, completou.

Trayce Melo

Repórter

Jornalista com experiência em redação, planejamento de estratégias e produção de conteúdo digital. Escreveu uma série de materiais independentes para o Portal Leia Já. Também atuou como social media na Secretaria de Estado de Turismo do Pará e como assessora de comunicação na Prefeitura de São Sebastião da Boa Vista, no Marajó. Além disso, atuou como analista de marketing na Enter Agência Digital. Recebeu o prêmio Internacional Premium Cop 30 Amazônia, concedido pelo ICDAM. Atualmente, é repórter do Jornal Diário do Pará.

Jornalista com experiência em redação, planejamento de estratégias e produção de conteúdo digital. Escreveu uma série de materiais independentes para o Portal Leia Já. Também atuou como social media na Secretaria de Estado de Turismo do Pará e como assessora de comunicação na Prefeitura de São Sebastião da Boa Vista, no Marajó. Além disso, atuou como analista de marketing na Enter Agência Digital. Recebeu o prêmio Internacional Premium Cop 30 Amazônia, concedido pelo ICDAM. Atualmente, é repórter do Jornal Diário do Pará.