Com o tema “Consciência Climática para segurar o céu”, para ampliar essa conscientização sobre as mudanças climáticas, o Coletivo Indígena Mairi iniciou no dia 12 de março uma ação artística e educativa em Belém, como parte de uma mobilização nacional, realizada simultaneamente em todos os estados da região amazônica e no Distrito Federal, promovida pelo projeto Megafone Ativismo.
O objetivo é destacar a urgência da pauta ambiental e marcar o Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, celebrado em 16 de março. A atividade contou com duas frentes principais: uma oficina artística com alunos da Escola Municipal Nelson Ribeiro, no bairro do Telégrafo, onde eles participaram do varal “A Voz da Natureza”, e a pintura de um mural temático.
“A arte é uma forma potente de comunicação. Quando falamos sobre a crise climática através do grafite, estamos nos conectando com quem passa por aqui, com quem observa e reflete sobre o que está acontecendo com o nosso planeta”, afirmou a antropóloga Danielle Anambé, de 33 anos, representante do Coletivo Mairi.
O professor de artes Rudá Tupy, 43, esteve à frente do trabalho chamado ‘A Voz da Natureza’, ao lado do apoiador Christian Tremembé. “Os alunos desenham elementos que gostariam de preservar, como animais e plantas. Eles vão inserir esses desenhos dentro de molduras, criando um espaço simbólico para a floresta”, explicou.
Entre os participantes, Matheus Rodrigues, de 12 anos, aluno do 7º ano, desenhou um pássaro. “Os passarinhos são importantes para a gente. Eu desenhei um ao lado de uma árvore porque eles lembram a natureza que, para mim, é tudo”. Já Pietro Campelo, 12, escolheu retratar um gato. “Gosto muito de cuidar dos animais. Fiz esse desenho para lembrar que eles precisam de mais amor e cuidado, em vez de serem maltratados. A natureza é vida e paz, e precisa de todos eles”, disse.
MURAL
Mais a frente, um muro na Rua Gonçalves Ferreira está ganhando novas cores e significados. Executado pelos ativistas And Santtos e Tai Silva, traz a figura da encantada indígena Kianumaka-Manã, da tradição Tupinambá. A ideia é potencializar os traços marcantes da arte indígena e a frase “Consciência Climática para segurar o céu”.
Kianumaka é reverenciada pelos nomes “Deusa Onça”, “Onça Cabocla” e “Mulher Onça”, está associada ao espírito livre e, através da força das onças, protege os indígenas brasileiros em suas batalhas. A imagem pretende dialogar com elementos que retratam a natureza e tudo que a compõe, compondo uma obra que mescla ancestralidade e resistência ambiental.
“Dentro da narrativa, ela é a guardiã da floresta. Para mim, a onça é o indicativo de saúde dentro de qualquer bioma; se estão vivas, o bioma está vivo. Utilizamos essa representação para inspirar as pessoas a lutarem pela preservação do meio ambiente. Infelizmente, essa ainda é uma pauta que muitos não querem discutir, mas precisamos ter essa consciência climática e agir para evitar o pior”, detalhou Tai, 34, grafiteira.
O projeto mobilizou cerca de 15 integrantes do coletivo Mairi em Belém, além de contar com o apoio de mais de 25 pessoas articuladas pelo Megafone Ativismo. Mesmo com a existência de uma data oficial para o tema, instituída pela Lei nº 12.533/2011, a conscientização ainda é um desafio. “Muitas pessoas nem sabem que esse dia existe, é uma data que não costuma ser lembrada como o Dia do Meio Ambiente, e nosso trabalho é chamar a atenção e incentivar o debate”, reforçou Danielle.