ROTEIRO

Segunda etapa do restauro do Parque da Soledade será entregue neste sábado

Entrega de mais uma parte da revitalização do cemitério faz parte da programação da Semana do Patrimônio, que conta com debates, oficinas e feira criativa. Confira a programação

Cemitério Parque Soledade vem passando por um processo de restauro desde 2021
FOTO: Alberto Bitar
Cemitério Parque Soledade vem passando por um processo de restauro desde 2021 FOTO: Alberto Bitar

Com o tema “A cidade da COP e o patrimônio cultural: o que, como e para quem?”, a Semana do Patrimônio foi aberta na sexta-feira (29), no Sesc Ver-o-Peso, em Belém. A atividade marcou o início oficial da programação promovida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que inclui a entrega da segunda etapa do restauro do Parque Cemitério Soledade, neste sábado (30).

A obra do Soledade foi executada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Laboratório de Conservação, Restauração e Reabilitação (Lacore), com recursos de R$ 7 milhões repassados pelo Iphan. Nesta fase, foram restaurados 150 túmulos, mausoléus e remanescentes de duas irmandades, além do pórtico da capela e da conservação preventiva dos equipamentos recuperados anteriormente.

A Secretaria de Estado de Cultura (Secult), que administra o espaço, atuou como parceira do projeto. Na primeira etapa do restauro, entre 2021 e 2023, a Secult destinou à obra cerca de R$ 16 milhões em recursos próprios, o que possibilitou a recuperação de 126 estruturas da arquitetura mortuária, incluindo túmulos, mausoléus e o cruzeiro, além da abertura de uma nova entrada no espaço.

“A preservação do patrimônio não é apenas sobre prédios, espaços e memórias, mas também sobre modos de vida, saberes e práticas culturais que precisam ser salvaguardados para garantir um futuro mais justo aos nossos territórios. Com essa entrega do Soledade, temos uma oportunidade única: a de reafirmar a Amazônia como protagonista, mostrando ao mundo que desenvolvimento econômico e social pode estar profundamente vinculado à nossa sociobiodiversidade, às tradições culturais e à participação das comunidades”, destacou a secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal.

A superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos, ressaltou a importância da entrega para o legado histórico da cidade. “O Soledade é um marco no centro de Belém e vem contar histórias não só da estruturação da cidade naquele momento, mas também de como a capital passou por um período de saúde pública. Compreendemos que o espaço possui grande relevância em vários elos da contextualização histórica de Belém. Essa é mais uma entrega de um patrimônio altamente preservado para que a população entenda quem somos e de onde viemos”, afirmou.

Semana do Patrimônio: programação e restauração do Parque Cemitério Soledade

Após a abertura da manhã, a Semana do Patrimônio teve visita guiada à embarcação encontrada durante as obras do Parque Linear da Doca, na tarde desta sexta. Neste sábado (30), a agenda começa às 8h com a entrega da segunda etapa do Parque Cemitério Soledade, acompanhada por feira criativa, apresentações musicais, oficinas de educação patrimonial e uma aula expositiva com o historiador Michel Pinho.

Neste domingo (31), a programação se encerra com o roteiro “Belém Cidade Negra: Território de Memórias Afro-Brasileiras”, que parte da Escadinha do Cais do Porto em direção à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Com a temática “Participação Social, Territórios e Sustentabilidade”, o Dia do Patrimônio foi celebrado no último dia 17 de agosto, data em que se homenageia o fundador do Iphan, Rodrigo Melo Franco de Andrade.

Descoberta de embarcação na Doca

Descoberta durante as escavações do Parque Linear da Doca, a embarcação mede quase 30 metros e remonta à metade do século XIX. Segundo o Iphan, é de provável origem norte-americana e teria saído de Nova Iorque rumo à América do Sul, mas acabou abandonada devido aos altos custos de operação. O achado ocorreu na área do antigo Igarapé das Almas, ponto estratégico de circulação de embarcações utilizadas no comércio e no transporte de mercadorias à época. Atualmente, a embarcação está abrigada em uma área bem próxima ao local onde foi encontrada, onde funciona o laboratório de restauro.