
A Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) atravessa uma das fases mais delicadas de sua história recente, marcada por falhas administrativas que atingem tanto a infraestrutura quanto a gestão acadêmica. Dois comunicados recentes, um interno e outro público, revelaram a gravidade do cenário, que já impacta diretamente professores, técnicos e estudantes.
De acordo com a Prefeitura Universitária, a Ufra está sem contratos ativos de manutenção predial, de refrigeração e da rede elétrica. Isso significa que a instituição encontra-se desprotegida em pontos básicos de funcionamento, expondo à insegurança não apenas a rotina acadêmica, mas também o patrimônio público e a integridade de quem circula nos campi.
Ao mesmo tempo, a Pró-Reitoria de Ensino (Proen) admitiu dificuldades para cumprir a Portaria MEC nº 70/2025, que obriga, a partir de julho do próximo ano, a emissão exclusivamente digital de diplomas de cursos superiores. O entrave é atribuído a limitações do sistema acadêmico (Sigaa) e a um passivo financeiro herdado de 2022 e 2023. Como medida emergencial, a universidade decidiu entregar apenas declarações provisórias de conclusão de curso aos formandos.
Embora tratem de áreas distintas, os dois episódios expõem a mesma realidade: a perda de capacidade de planejamento estratégico. A ausência de contratos de manutenção e a falta de preparação para a transição digital do Ministério da Educação (MEC) não podem ser entendidas como fatos isolados, mas como sintomas de uma gestão que deixou de antecipar e prevenir crises.
Crise na Ufra: Falhas Administrativas e Impacto na Comunidade Acadêmica
A ex-reitora Herdjania Veras, que tenta retornar ao cargo em busca de reeleição, é frequentemente relacionada como responsável direta pelo quadro atual. Sua gestão, concluída há pouco tempo, deixou para trás um rastro de problemas: uma universidade sem infraestrutura adequada, sem contratos básicos de manutenção, sem energia confiável, sem diplomas digitais regularizados e até mesmo sem ar-condicionado em salas e laboratórios.
O contexto agrava-se diante de um processo eleitoral interno conturbado e judicializado, que já desgasta a comunidade acadêmica. Agora, além da disputa política, estudantes e servidores convivem com a insegurança sobre as condições de ensino e com a incerteza quanto à validade formal de diplomas. “É natural que cresça o sentimento de frustração e de desconfiança em relação à direção da instituição”, avaliam integrantes da comunidade universitária.