A expansão dos serviços digitais, das redes sociais e do comércio eletrônico tem trazido facilidades, mas também abriu espaço para a atuação de criminosos virtuais. No Brasil, os golpes digitais crescem de forma acelerada, atingindo milhões de pessoas em todas as regiões do país.
De acordo com levantamento realizado pelo DataSenado, 24% dos brasileiros com mais de 16 anos relataram ter sido vítimas de fraudes digitais nos últimos 12 meses, resultando em perda financeira. O índice corresponde a aproximadamente 40,8 milhões de pessoas. A pesquisa revela que não há perfil único das vítimas: a incidência ocorre entre diferentes faixas etárias, níveis de renda, escolaridade e locais de residência.
O cenário acompanha a intensificação do uso das ferramentas digitais. Apenas em 2024, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), os golpes virtuais aumentaram 45%, com cerca de 5 milhões de ocorrências registradas. No âmbito da segurança pública, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que os casos de estelionato eletrônico cresceram 13,6% entre 2022 e 2023.
Dados do Serasa Experian mostram que no Pará, foi registrado crescimento de 48,3% nas tentativas de fraudes em fevereiro de 2025, uma das maiores altas do país.
Os crimes mais comuns envolvem links falsos, páginas de comércio eletrônico fraudulentas, clonagem de contas em redes sociais e envio de mensagens por aplicativos como o WhatsApp. Nesses casos, os criminosos utilizam técnicas de engenharia social, explorando a pressa e o medo das vítimas para induzi-las a fornecer dados pessoais ou realizar transferências de valores.
Golpes Relacionados ao Pix
O sistema de pagamentos instantâneos também se tornou alvo recorrente. Entre os registros mais comuns estão a utilização de QR Codes falsos, a emissão de comprovantes adulterados e o contato de golpistas que se passam por centrais de atendimento bancário. O crescimento acelerado do uso do Pix, que já ultrapassa dezenas de bilhões de transações anuais, amplia o alcance desse tipo de fraude.
Embora o DataSenado não apresente dados individualizados por estado, a realidade paraense segue a tendência nacional. O Pará, onde vive uma das maiores populações da região Norte e apresenta forte crescimento do comércio eletrônico, também enfrenta a expansão dos crimes digitais.
Em cidades de médio porte — faixa na qual se encontram diversos municípios paraenses — estão entre as mais vulneráveis, conforme aponta a pesquisa, Belém e Ananindeua, polos urbanos com grande circulação de consumidores digitais, e que registram com frequência relatos de golpes relacionados a anúncios falsos em redes sociais e plataformas de vendas.
Prevenção e Enfrentamento
Autoridades de segurança e entidades de defesa do consumidor alertam que a prevenção continua sendo a forma mais eficaz de enfrentar o problema. Entre as principais recomendações estão:
· evitar clicar em links recebidos por mensagens ou e-mails suspeitos;
· conferir sempre a veracidade de sites e perfis em redes sociais antes de realizar compras;
· utilizar aplicativos oficiais de bancos e de empresas de comércio eletrônico;
· verificar chaves Pix cadastradas e desconfiar de pedidos de transferência urgentes;
· registrar boletim de ocorrência em casos de fraude e comunicar imediatamente a instituição financeira.Dados sobre golpes virtuais no Brasil
Alcance e proporção
1.
Em 2024, cerca de 24% dos brasileiros com mais de 16 anos foram vítimas de algum golpe digital — mais de 40 milhões de pessoas afetadas.
Entre julho de 2024 e junho de 2025, 24 milhões de pessoas caíram em golpes envolvendo PIX ou boletos, com um prejuízo total estimado em quase R$ 29 bilhões.
Explosão de ocorrências
2.
De 2018 a 2024, os estelionatos virtuais cresceram incríveis 408%, chegando a 2,1 milhões de registros em 2024 — é quatro golpes por minuto.
Em 2024, houve um aumento de 45% nos crimes digitais, totalizando cerca de 5 milhões de fraudes.
Tentativas de fraude e inovações nas defesas
3.
Em fevereiro de 2025, foram registradas 1.119.316 tentativas de fraude evitadas, uma alta de 37,4% em relação a fevereiro de 2024.
Táticas cada vez mais sofisticadas
4.
· 493% dos golpes prometem benefício financeiro imediato; 77% (e até 90% em 2025) usam nomes de marcas ou pessoas públicas para parecerem confiáveis.
· A engenharia social está mais refinada: e-mails com layout profissional, sites falsos mas visuais legítimos, mensagens personalizadas etc.
Prejuízo médio e impacto no consumidor
5.
40% dos brasileiros já foram alvo de golpe por e‑mail, internet, SMS ou voz; 10% admitiram ter sido enganados.
Quem perdeu dinheiro em golpes virtuais desembolsou uma média de R$ 6.311, quase quatro salários mínimos.
Aumento geral das fraudes
6.
Em 2024, a taxa média de tentativas suspeitas de fraude em transações foi de 6,1%, uma das mais altas do mundo.
Ataques cibernéticos em geral
7.
O Brasil registrou mais de 700 milhões de ataques cibernéticos em 12 meses, o que equivale a 1.379 ataques por minuto.
No primeiro semestre de 2025, ocorreram ataques severos como desvios de mais de R$ 500 milhões por PIX e ataques a órgãos públicos, superando todos os incidentes de anos anteriores.