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A economia brasileira e o endividamento das famílias

A economia brasileira e o endividamento das famílias

A economia brasileira chega a agosto de 2025 mostrando sinais de recuperação, mas o endividamento das famílias segue como um dos maiores desafios do país. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio, 78,5% dos lares brasileiros estão endividados. Entre eles, 30% já apresentam dívidas em atraso, o maior nível de inadimplência dos últimos dez meses.

Apesar de o Produto Interno Bruto (PIB) registrar avanço moderado e a taxa de desemprego se manter em torno de 6%, a inflação ainda persiste acima da meta. Para contê-la, o Banco Central mantém a taxa básica de juros em 15% ao ano, encarecendo o crédito e dificultando a renegociação de dívidas.

O peso da renda e a desigualdade

A situação é ainda mais grave entre as famílias de baixa renda, que vivem com até três salários mínimos: 81% estão endividadas e 38% não conseguem pagar as contas em dia. Já a classe média mostra maior capacidade de ajuste, com inadimplência em queda. No entanto, mesmo entre os brasileiros de alta renda, a proporção de famílias com dívidas atrasadas aumentou e já alcança 15,6%.

“Os números mostram que o crédito continua sendo usado para fechar o orçamento mensal, e não apenas para consumo de longo prazo”, avalia um economista ouvido pela reportagem.

Cartão de crédito ainda lidera, mas carnês ganham espaço

O cartão de crédito segue como principal forma de endividamento, presente em 84,5% dos lares, embora em leve queda em relação ao ano anterior. Já os carnês de lojas voltaram a crescer, atingindo 16,8% dos endividados, reflexo da busca por condições mais acessíveis em um ambiente de juros elevados.

O prazo médio das dívidas também encolheu: menos famílias estão comprometidas com obrigações acima de um ano. O dado revela uma tentativa de ajuste financeiro, mas também indica restrição no acesso a crédito de longo prazo.

Risco de crédito em alta

Mesmo com a Selic elevada, o Banco Central alerta para a expansão de linhas de crédito mais arriscadas, como empréstimos pessoais sem garantia e financiamentos de automóveis, especialmente entre famílias de menor renda. No início de 2025, o endividamento total das famílias já equivalia a 48,7% da renda acumulada em 12 meses.

Crise com os EUA aumenta incerteza

O cenário internacional também pressiona. A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, que levou à imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, ameaça o comércio exterior e pode afetar o câmbio, o emprego e a renda nos próximos meses.

Desafio à frente

O Brasil, portanto, enfrenta um paradoxo: cresce de forma moderada, com mais empregos, mas convive com famílias cada vez mais sufocadas pelas dívidas. Sem políticas de crédito mais equilibradas, programas de renegociação eficazes e uma queda consistente dos juros, o risco é de que o consumo motor da economia acabe sendo freado pelo próprio peso da inadimplência.