JORNADA COP+

Economia Circular ganha protagonismo na COP30 e será destaque em seminário da indústria no Pará

Pela primeira vez, a Economia Circular será destaque na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima.

O “Seminário Economia Circular e Indústria: construindo um futuro sustentável”, reunirá diversos setores em programação com painéis e showcases na sede da federação.
O “Seminário Economia Circular e Indústria: construindo um futuro sustentável”, reunirá diversos setores em programação com painéis e showcases na sede da federação.

Pela primeira vez, a Economia Circular será destaque na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima. O assunto será tema da COP30 em Belém, compondo os debates da programação oficial nos dias 10 e 11 de novembro tanto da Green Zone quanto na Blue Zone, área oficial de negociações diplomáticas da ONU. Forma de economia que propõe novos jeitos de se relacionar com os recursos, a Economia Circular é uma preocupação da Jornada COP+, iniciativa da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) e será tema de evento no dia 18 de setembro. O “Seminário Economia Circular e Indústria: construindo um futuro sustentável”, reunirá diversos setores em programação com painéis e showcases na sede da federação.

O evento é realizado em parceria com o Instituto Rever, entidade sem fins lucrativos, habilitada pelo Ministério do Meio Ambiente como gestora de logística reversa que representa mais de 50 entidades da indústria brasileira. Ricardo Pazzianotto, diretor executivo do Instituto explica que a economia circular ganha força com a articulação de diferentes setores, como a indústria, o poder público e os trabalhadores da reciclagem. “Ao reunir esses três atores, o Seminário de Economia Circular da Jornada COP+ vai além da teoria. Ele constrói pontes e fomenta o diálogo, buscando uma solução que seja economicamente viável, ambientalmente responsável e socialmente equitativa. Essa é a única forma de desenvolver um sistema de logística reversa robusto e duradouro, capaz de transformar o modo como consumimos e produzimos no Brasil”, ressalta.

Dados da ONU mostram que a Economia Circular poderia gerar um ganho  de 108 bilhões de dólares para a economia global até 2050, através da redução e gestão eficaz de resíduos e outras práticas sustentáveis. No Brasil, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, investimentos em economia circular podem gerar 7 milhões de empregos até 2030. Esse modelo de economia está ligado a práticas que formam os 7 Rs da economia circular: recusar, repensar, reduzir, reutilizar, reparar, reciclar e regenerar. O modelo é oposto à economia linear, que repete os mesmos passos: extrair, produzir, consumir, usar e descartar, sem se preocupar com a destinação desse resíduo. Para Pazzianotto, o momento é ideal para discutir o assunto. “Este evento faz parte de uma série de discussões preparatórias para a COP30 em Belém e evidencia o papel fundamental da logística reversa como um pilar da economia circular. Em vez de descartar resíduos, a logística reversa garante que embalagens e outros materiais voltem para a cadeia produtiva”, afirmou.

O “Seminário Economia Circular e Indústria” contará com a presença de autoridades como  Alex Carvalho, Presidente da FIEPA;  Hana Ghassan, vice-governadora do Pará; Igor Normando, Prefeito de Belém; Rodolpho Zahluth Bastos secretário da SEMAS,  Ricardo Pazzianotto do Instituto Rever,  Beatriz Luz do Instituto Brasileiro de Economia Circular, além de representante  da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Economia circular na indústria

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Centro de Pesquisa em Economia Circular da Universidade de São Paulo (USP) divulgado em 2024, mostra que 85% das indústrias do país adotam alguma prática de economia circular em sua cadeia de produção. No setor, as iniciativas mais praticadas são a promoção de programas de sustentabilidade ou a realização de práticas que aumentam a efetividade dos processos. Já uma prática mais comum, como a reciclagem, é adotada em três a cada dez empresas.

O coordenador técnico da Jornada COP+, Deryck Martins explica que a indústria pode impulsionar a transição para um modelo econômico circular. “É um caminho que parte da indústria já está trilhando, mas outra parte ainda precisa se conectar mais com essa agenda. Quando falamos de economia circular, falamos de reaproveitamento de resíduos. Estamos falando que o que seria resíduo passa a ser matéria-prima, sobre como você cria design mais inteligente para aumentar o tempo de vida útil dos produtos, como que você fala de regeneração, de onde você tira o recurso natural”, explica.

Pensando nisso, entre os legados da Jornada COP+ está a criação do Programa de Economia Circular da FIEPA, que será permanente e pretende atuar junto ao poder público na formulação de políticas voltadas à logística reversa e gestão de resíduos sólidos, com foco no setor produtivo. O Programa prevê o mapeamento e divulgação de boas práticas do setor industrial voltados a esta economia, ações de capacitação e letramento, além do oferecimento de soluções  de circularidade para a indústria. “Queremos mostrar o que está dando certo, pois ao divulgarmos essas iniciativas engajamos outras indústrias nessas atividades. O programa vai trazer informações e inovações da área de economia circular e orientações sobre como as indústrias podem adotar estratégias para de economia circular em seus negócios”, pontua Alex Carvalho, presidente da FIEPA e da Jornada COP+.

Evento é pontapé para transformações no setor

O “Seminário Economia Circular e Indústria: construindo um futuro sustentável” será no dia 18 de setembro na sede da FIEPA. As inscrições podem ser feitas pelo site da federação. O evento terá painéis de debate e um espaço para showcases, onde serão apresentados exemplos de iniciativas de economia circular na indústria da Amazônia. Entre os expositores estão grandes empresas como Tramontina e Havaianas e outras de menor porte, como a Seringô, Combinô e MLX Uniformes.

A empresária e líder do comitê de Economia Circular da Jornada COP+, Priscilla Vieira explica que o seminário é um convite para uma ação efetiva. “O evento reúne indústria, governo, academia e sociedade civil em torno de um mesmo propósito que é o de acelerar a transição para um modelo de desenvolvimento sustentável no Pará e na Amazônia. Toda a programação foi pensada de forma colaborativa, unindo letramento, escuta e construção conjunta, para gerar propostas práticas conectadas à realidade local e aos desafios da COP30”, afirma.

Ao final do evento, será assinada a Carta de Criação da Aliança pela Economia Circular do Pará, uma coalizão multissetorial e permanente, formada por governo, setor privado, academia e sociedade civil para consolidar a economia circular como eixo estruturante da nova economia da região. “É um momento de protagonismo regional, que mostra a Amazônia como referência em inovação e soluções circulares”, conclui Priscilla Vieira.

José Maria Mendonça, Ricardo Pazzianotto, Alex Carvalho e Deryck Martins
Débora Costa

Coordenadora do site Diário do Pará

Graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela UNAMA (Universidade da Amazônia). Especialista em Comunicação Corporativa e Marketing Empresarial com ênfase em mídias e redes sociais. Coordena o site Diário do Pará, parte do Grupo RBA, desde 2010. Ao longo da carreira, atuou na cobertura de diversas editorias, além de ter experiência no veículo de TV e na Coordenação do Núcleo de Mídias Digitais. 📍 Nascida em Belém-PA 📌 Redes Sociais: 📷 Instagram: @debboracosta 🐦 X: @debboracosta 💼 LinkedIn

Graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela UNAMA (Universidade da Amazônia). Especialista em Comunicação Corporativa e Marketing Empresarial com ênfase em mídias e redes sociais. Coordena o site Diário do Pará, parte do Grupo RBA, desde 2010. Ao longo da carreira, atuou na cobertura de diversas editorias, além de ter experiência no veículo de TV e na Coordenação do Núcleo de Mídias Digitais. 📍 Nascida em Belém-PA 📌 Redes Sociais: 📷 Instagram: @debboracosta 🐦 X: @debboracosta 💼 LinkedIn