O jogo foi decidido a partir de um típico entrechoque na área, com a bola desviando na cabeça e no braço do atacante do Criciúma e na mão do volante do Remo. Dois toques acidentais, sem intenção faltosa, mas o árbitro foi inclemente: confirmou o pênalti, após ser chamado no VAR. Em favor dele, o fato de que estava a dois metros do lance. Em desfavor, o habitual rigor interpretativo em lances de bola na mão dentro da área.
É preciso admitir que o Remo perdeu também pelo excesso de erros de finalização. O comportamento do time, principalmente no 1º tempo, foi o melhor sob o comando de Antônio Oliveira. As jogadas de infiltração finalmente aconteceram e a movimentação dos atacantes Pedro Rocha, Marrony e Matheus Davó permitiu ao Leão várias chances claras para chegar ao gol.
Pedro Rocha perdeu duas oportunidades, Marrony também bateu duas vezes com muito perigo e Davó desperdiçou a última, já no 2º tempo. Era plenamente possível, portanto, derrotar o Criciúma, que na etapa inicial apresentou uma defesa lenta e mal posicionada.
A pressão por resultado tem tido um efeito devastador sobre os atacantes do Remo, todos experientes e afeitos a cobranças dos torcedores. Rocha, artilheiro do campeonato, parece ter perdido a chama que diferencia os goleadores dos meros chutadores ocasionais.
Individualmente, aperfeiçoou o drible e os deslocamentos em velocidade. É uma evolução. Continua, porém, errando muito na hora de definir. Um exemplo disso foi o lance em que, dentro da área, fintou dois adversários dentro da área e bateu rasteiro para defesa parcial de Alisson. Livre e com o gol escancarado, podia ter refinado a finalização, mas optou pelo chute de segurança, que facilitou a intervenção do goleiro.
Marrony teve nos pés outra chance preciosa, a poucos minutos do fim do 1º tempo. Recebeu excelente passe de Davó, mas disparou em cima do goleiro e a bola escapou para escanteio. Depois, com espaço aberto à frente da área, chutou rasteiro e o goleiro desviou. A melhor opção era o chute alto, aproveitando a saída em falso de Alisson.
Em escapada pela direita, após recuo errado de um zagueiro, Davó avançou até a área, mas finalizou rasteiro nas mãos do goleiro. Tinha o gol à disposição, mas pegou mal na bola e o Remo perdeu outro lance crucial.
Por fim, após uma boa triangulação de Nico Ferreira, Régis e Pagani, a bola foi tocada com açúcar e afeto para Pedro Rocha, que chegou chapando e mandou por cima do gol.
Não precisa ser muito observador para perceber que a dolorosa derrota para o Criciúma não pode ser colocada na conta do contestado treinador azulino. O time teve um desempenho satisfatório e o goleiro Marcelo Rangel não fez nenhuma defesa importante.
O problema está na crônica dificuldade em aproveitar as jogadas agudas. O Remo é o time que mais perde chances claras de gol neste returno de Série B. Um pecado que às vezes é punido com extrema crueldade, como ontem à noite. O Criciúma, que rezava para o jogo acabar, terminou premiado com um pênalti polêmico a dois minutos do fim.
Acontece, dirão alguns. Mas, no caso de um time que batalha para subir, o esforço é justamente para evitar que o mal aconteça. O Remo abusa do direito de errar. Foram 17 pontos desperdiçados como mandante – três derrotas e oito empates. São tropeços que sabotam o sonho do acesso.
Papo inútil com facções que não representam a torcida
Antes do confronto com o Criciúma, o executivo Marcos Braz teve a infeliz ideia de convocar representantes de facções organizadas para um encontro de pacificação no estádio Baenão. Dois erros embutidos numa decisão só: organizadas não representam o verdadeiro torcedor do clube e não é possível pensar em pacificar um ambiente que não está conflagrado.
Talvez pela experiência com as torcidas do Flamengo, clube onde atuou por décadas, Braz tenha uma visão distorcida sobre a representatividade das organizadas do Remo, que atuam há tempos disseminando violência e promovendo baderna dentro e fora dos estádios, impunemente.
Um alto dirigente não pode cometer tais equívocos, sob pena de ficar bem com grupelhos e muito mal perante o verdadeiro torcedor azulino.
Atletas “sumidos” reaparecem e confirmam nível ruim
De repente, Pedro Delvalle e Dudu Vieira reapareceram no PSC, espantando os torcedores que nem lembravam mais de suas presenças no elenco. Foram utilizados por Claudinei Oliveira nas duas últimas partidas por uma razão muito simples: o elenco está novamente reduzido e é preciso fazer reposição, diante de lesões e suspensões.
Como esperado, ambos atuaram de maneira discretíssima, o que deixa claro que de fato não deveriam mais fazer parte do elenco. Claudinei, porém, vive um drama. Não tem alternativa, pelo menos até que os contratados pós-Transfer Ban possam ser testados e aproveitados no time.