Uma operação conjunta do GAECO, Receita Federal e Polícia Federal mira um suposto esquema criminoso que teria movimentado mais de R$ 8,4 bilhões em fraudes tributárias, lavagem de dinheiro e estelionato. No centro das investigações está o empresário Mohamad Hussein Mourad, apontado como articulador de uma rede de empresas de fachada que operava em diferentes etapas da cadeia de combustíveis e mantinha conexões diretas com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com a decisão do juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva, há “vínculos objetivos” entre o grupo de Mourad e integrantes da facção criminosa. O despacho autorizou buscas, quebras de sigilo fiscal e bancário, além do bloqueio de bens dos investigados.
Estrutura do esquema
As apurações revelam que Mourad, também conhecido como “Primo” ou “João”, teria usado centenas de empresas de fachada para esconder a origem dos recursos ilícitos, com o apoio de familiares e sócios. O grupo teria se infiltrado em usinas de álcool, distribuidoras, transportadoras e uma rede estimada em 1.200 postos de combustíveis, movimentando cerca de R$ 54 bilhões em operações que pagaram apenas uma fração dos tributos devidos.
A investigação também aponta para a utilização de fundos de investimento e instituições de pagamento com “contas bolsões” para dificultar o rastreamento do dinheiro e blindar o patrimônio adquirido.
O ponto mais sensível do caso é a ligação com o PCC. Segundo o GAECO, parte das redes de postos e distribuidoras controladas por Mourad mantinha sócios e operadores associados diretamente à facção. Essa relação teria garantido ao grupo proteção e capilaridade para expandir negócios ilícitos em São Paulo e Goiás, além de facilitar a lavagem de recursos em larga escala.
Entre os nomes citados na decisão judicial estão familiares de Mourad, que ocupavam posições estratégicas em diferentes empresas do grupo. Também aparece o nome de Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, apontado como um dos articuladores do esquema.
Com o bloqueio de bens e a apreensão de documentos, o Ministério Público pretende aprofundar o rastreamento das operações financeiras e identificar a participação efetiva da facção criminosa na engrenagem.
A reportagem não localizou a defesa de Mohamad Hussein Mourad até a última atualização desta publicação.
🔎 Quem é quem no esquema investigado
Principais nomes citados pela investigação do GAECO, Receita e PF:
- Mohamad Hussein Mourad (“Primo” ou “João”)
→ Apontado como líder do esquema bilionário no setor de combustíveis; ligação direta com o PCC; articulador de empresas de fachada, fundos e usinas. - Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”)
→ Um dos principais operadores; teria auxiliado Mourad na expansão da rede criminosa. - Amine Hussein Ali Mourad (irmã)
→ Titular de rede de lojas de conveniência usadas no esquema. - Armando Hussein Ali Mourad (irmão)
→ Presidente de distribuidoras de petróleo ligadas ao grupo. - Himad Abdallah Mourad (primo)
→ Responsável pela blindagem patrimonial e ocultação de bens. - Ali Mohamad Mourad (primo)
→ Sócio em empresa de engenharia associada às operações. - Silvana Corrêa (companheira)
→ Aponta-se como titular de empresa utilizada para esconder patrimônio. - Hussein Ali Mourad (sócio e administrador)
→ Atuava na gestão das empresas de fachada. - Tharek Majide Bannout (sócio)
→ Envolvido em diversos postos e empresas de combustíveis.