
Cametá - A Justiça do Pará determinou a suspensão do show da cantora Joelma, que faria parte do evento “Réveillon do Povão” em Cametá, município localizado a 665 quilômetros de Belém. A decisão foi tomada pelo juiz José Matias Santana Dias, da 2ª Vara Cível local, após uma Ação Popular questionar os gastos de R$ 500 mil com o cachê da artista, além de outras despesas que somariam R$ 850 mil.
Cametá está em estado de emergência desde novembro devido à seca e problemas ambientais. O autor da ação, Martiniano Barros Cunha, sócio de uma empresa de eventos, argumentou que os recursos deveriam ser direcionados para áreas como saúde e infraestrutura, em vez de serem gastos com grandes festividades. Ele defendeu que a contratação da cantora violava princípios de moralidade e eficiência administrativa, especialmente em um momento de crise econômica e social.
O Ministério Público do Pará (MP-PA) se posicionou a favor da suspensão, afirmando que os gastos seriam prejudiciais ao erário e contrariavam os princípios da administração pública. O MP destacou que a cidade enfrenta ações judiciais para melhorar serviços básicos, como a reforma do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e a gestão de resíduos sólidos.
Na decisão, o juiz José Matias Santana Dias ressaltou que o gasto de um valor elevado em um momento de emergência municipal violava os princípios da moralidade administrativa, proporcionalidade e eficiência. Ele apontou que o valor destinado ao show representava 25% dos recursos federais recebidos para enfrentar a crise. O juiz sugeriu que o evento fosse adaptado, dando espaço para artistas locais e reduzindo os custos. “Cametá é um celeiro de grandes talentos musicais. O evento pode ser realizado com um custo menor e mais adequado à realidade do município”, afirmou.
A decisão impôs uma multa de R$ 250 mil em caso de descumprimento, e a prefeitura ainda pode recorrer.
Com informações do site Revista Cenarium