CÂMARA DOS DEPUTADOS

Projeto prevê que Pará pode ter 21 deputados federais

Câmara cogita ampliar número de deputados para 531 após decisão do STF
Câmara cogita ampliar número de deputados para 531 após decisão do STF Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

O Estado do Pará aumentou sua população, segundo apontou o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 11 votos a 0, que o Congresso deve redefinir o número de deputados a que cada Estado tem direito de acordo com a população atual.

Com isso, o Pará poderá ganhar quatro novas cadeiras, passando de 17 para 21 representantes na Câmara dos Deputados. O STF definiu ainda que a redistribuição de vagas deve ser feita até junho de 2025. Caso isso não seja feito pelos parlamentares nesse prazo, a tarefa caberá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) já havia alertado para a necessidade de redistribuição das 513 cadeiras das Câmara, com perdas de vagas em sete estados e ganhos em outros sete.  O número de cadeiras por estado não é alterado desde dezembro de 1993, ano em que ocorreu o último redesenho das vagas na Câmara, a partir da aprovação de lei complementar. Ou seja, não houve atualização do tamanho das bancadas, a partir dos dados dos censos divulgados em 2000 e 2010.

“Sempre primamos pelo Legislativo tomar decisões relacionadas ao Legislativo. Mas essa decisão (sobre a redefinição do número de cadeiras) foi sendo adiada, o que nos obrigou (representantes do Pará) a entrarmos com uma ação no STF pedindo que o Supremo desse um prazo para o Congresso deliberar. O STF acatou nosso pedido e remeteu para cá. Nós do Pará não estamos querendo passar por cima da decisão do Legislativo. Mas fato é que a nossa composição por Estado não reflete a composição aqui na Câmara. Não temos como não corrigir”, informou o deputado federal Airton Faleiro (PT), ao participar de audiência pública sobre o tema.

A audiência pública foi realizada para discutir o Projeto de Lei Complementar 148/23, de autoria do deputado Pezenti (MDB-SC), que usa como base o Censo 2022 para definir quantos deputados cada estado e o Distrito Federal terão direito a partir de 2027.O PLC propõe mudanças na distribuição das vagas e define quantos candidatos cada estado e o Distrito Federal terão nas eleições de 2026 com base no Censo Demográfico de 2022.

O texto do PLC não altera o número total de deputados da Casa, que atualmente é 513, apenas modifica a distribuição das cadeiras. Também não há mudanças no número mínimo ou máximo das vagas, que atualmente é entre 8 (mínimo) e 70 (máximo) por estado. O Acre, por exemplo, deve manter o número de cadeiras, com 8 vagas, caso o projeto seja aprovado.

Para avaliar as mudanças, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar elaborou o cenário com aplicação da regra atual de distribuição das cadeiras dentro dos limites mínimos e máximos de cadeiras por estado. Nesse cenário, os estados que mais ganham deputados federais são Pará e Santa Catarina, com quatro cada. Isso aumentaria a bancada paraense dos atuais 17 parlamentares para 21. O Amazonas ganha dois novos parlamentares, enquanto Ceará, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso ganham uma nova cadeira cada. Perdem vagas o Rio de Janeiro (4), Paraíba (2), Bahia (2), Rio Grande do Sul (2), Piauí (2), Alagoas (1) e Pernambuco (1).

Na mesma audiência pública, a diretora-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Roberta Maia Gresta, reiterou a importância de o Congresso se debruçar sobre esse cálculo, porque, em sua avaliação, essa adequação “será bem-vinda pela sociedade e pelo TSE”.

Por Luiza Mello