
Com o início do ano se aproximando e o cenário econômico ainda marcado por inflação elevada, juros altos e orçamentos domésticos pressionados, o planejamento financeiro se torna uma ferramenta indispensável para que as famílias e os trabalhadores consigam atravessar 2026 com mais segurança.
Para aprofundar esse debate, conversamos com o supervisor técnico do Dieese no Pará, Everson Costa, para explicar como entrar o novo ano com “orçamento no azul”. Ele afirma que o primeiro passo é olhar atentamente para os indicadores econômicos que influenciam diretamente a vida das pessoas. Segundo ele, é essencial analisar o que aconteceu no ano passado para entender o que esperar do próximo.
“Para organizar 2026, o primeiro passo é olhar para o que foi 2025. Tivemos crescimento econômico e mais oportunidades de emprego, mas também enfrentamos uma inflação muito alta, especialmente dos alimentos, e essa pressão deve continuar no próximo ano”, afirma.
Everson destaca que a alimentação continuará sendo o maior peso no orçamento das famílias. “Os preços dos alimentos dependem do emprego, do custo de produção e, cada vez mais, das condições climáticas. A alimentação segue sendo o maior peso do orçamento das famílias e vai continuar pressionando os gastos”, explica. Para quem faz um planejamento pessoal, ele reforça que é indispensável observar quais gastos mais pesaram em 2025, especialmente em setores como educação e saúde. “Quem faz um planejamento pessoal precisa observar os custos que mais pesaram no ano passado e entender que 2026 terá desafios semelhantes”, completa.
Já para pequenos negócios, os indicadores são mais amplos. Além da inflação, é necessário acompanhar o crescimento econômico, o comportamento do mercado de trabalho e a dinâmica do crédito. “O crédito está muito caro, com juros acima de 15% ao ano, e isso pesa tanto para famílias quanto para empreendedores. Para os pequenos negócios, acompanhar o ritmo da economia, o emprego e os custos é fundamental”, afirma o supervisor técnico.
Equilibrar o orçamento em um ambiente de inflação alta exige disciplina e escolhas difíceis. Everson explica que, quando a renda não acompanha os aumentos de preços, é preciso fazer cortes imediatos. “Equilibrar o orçamento, com inflação alta, exige revisão de gastos. O que é supérfluo sai, o que é essencial fica. Se o ‘cobertor é curto’, não há outra saída”, orienta. Ele recomenda estratégias que podem ajudar as famílias a enfrentar os reajustes mais pesados, como os que virão em 2026 nas mensalidades escolares, nos planos de saúde e no material escolar. Além disso, reforça a importância de rever a forma de comprar alimentos. “A compra semanal é uma estratégia inteligente. Ela permite acompanhar promoções, observar o que realmente está sendo consumido e fugir dos preços que sobem mais rápido”, explica.
A preocupação com o crescimento da inadimplência também é central. Segundo Everson, o cenário atual exige atenção redobrada das famílias. “Mais de 70% dos paraenses estão inadimplentes. Isso mostra que controlar gastos deixou de ser recomendação: virou necessidade”, alerta.
Outro ponto fundamental para garantir um 2026 mais equilibrado é a reserva de emergência, que funciona como um escudo contra imprevistos financeiros. Everson reforça que ela precisa ser tratada como prioridade. “A reserva financeira é fundamental. O ideal seria acumular de seis a nove meses de despesas para quem tem carteira assinada, e ainda mais para quem trabalha na informalidade”, explica. Mesmo assim, ele destaca que começar é mais importante do que atingir o valor ideal de imediato.
“Mesmo que seja pouco, o importante é começar. A poupança ainda funciona como uma saída para situações emergenciais quando o orçamento aperta”, afirma. Para ele, imprevistos são inevitáveis — e sem reserva, qualquer despesa inesperada vira dívida. “Em um país com juros acima de 15%, uma dívida pode virar um problema enorme”, completa.
Por fim, Everson reforça que nenhum planejamento financeiro funciona sem educação financeira. “Vivemos em um país de juros altíssimos, preços elevados e reajustes que não acompanham os salários. Sem educação financeira, as contas simplesmente não fecham”, afirma. Ele conclui destacando a importância de manter uma postura realista:
“Planejamento sereno, objetivo e baseado na realidade é a chave para não transformar 2026 em um ano de aperto e dor de cabeça.”
Ao lado da análise do Dieese, especialistas lembram que iniciar um novo ciclo é o momento ideal para reorganizar a vida financeira. Entender para onde o dinheiro está indo, ajustar as despesas, antecipar gastos previsíveis como IPVA e IPTU e usar a tecnologia como aliada são passos importantes. Criar pequenas metas de economia, praticar o “parcelamento por conta própria” e buscar fontes extras de renda também podem aliviar o peso do orçamento ao longo do ano. Assim, mesmo diante de um cenário econômico desafiador, um planejamento consistente e realista pode transformar 2026 em um ano mais leve e financeiramente saudável.
20 dicas para começar 2026 no azul e em paz com suas finanças
Começar o ano no azul não é sorte — é organização. Este guia reúne 20 dicas práticas para sair das dívidas, organizar o bolso e construir hábitos financeiros mais saudáveis.
1. Tire sua selfie financeira
Baixe extratos, faturas e anote TUDO o que você deve. Nada de adivinhação.
2. Descubra o valor total das dívidas
Encare o número de frente. Só assim você entende o tamanho do problema.
3. Classifique por prioridade
Dívidas com juros altos (cartão e cheque especial) são emergência.
4. Negocie com credores
Ligue, peça desconto, revise contrato. Renegociar funciona.
Os 5 inimigos do seu bolso
5. Cartão de crédito
Pague sempre o total da fatura. Fuja do rotativo e, se necessário, corte o cartão temporariamente.
6. Cheque especial
Saia dele o quanto antes. Troque por um empréstimo mais barato.
7. Financiamento
Nunca atrase parcelas. Avalie portabilidade e amortize quando sobrar dinheiro.
8. Dívida ativa
Regularize rápido. Aproveite mutirões de renegociação de prefeituras e estados.
9. Empréstimo pessoal
Evite pegar um novo para pagar o antigo. Refinance se achar juros menores.
Estratégias para quitar mais rápido
10. Método bola de neve
Quite primeiro as menores dívidas para ganhar motivação.
11. Método avalanche
Priorize dívidas com juros mais altos para economizar mais no longo prazo.
Como aumentar sua renda
12. Faça freelas
Design, redação, tradução, programação — monetize suas habilidades.
13. Venda itens usados
Desapegue de roupas, móveis e eletrônicos parados.
14. Crie renda passiva
Produtos digitais, aulas online e programas de afiliados são opções possíveis.
Mudanças de hábito que trazem resultado
15. Use uma planilha de gastos
Organização é metade do caminho. Controle entradas e saídas todos os meses.
16. Tenha uma reserva de emergência
Ela evita que você corra para o cartão ou cheque especial quando algo quebra.
17. Pare de viver no limite do orçamento
Ajuste gastos ao que realmente ganha. Sem autoengano.
18. Estabeleça metas financeiras
Claras, mensais e alcançáveis: quitar X dívida, juntar Y reais, cortar Z gasto.
19. Crie o hábito de revisar suas contas
Uma revisão semanal de 5 minutos evita surpresas.
20. Celebre cada avanço
Cada dívida paga é uma vitória — comemore e siga firme no plano.
Com disciplina, clareza e organização, 2026 pode ser o seu ano mais leve financeiramente.
Crédito: Portal Me Poupe!
Editado por Fábio Nóvoa