
A velha máxima de que conhecer a lei não significa, necessariamente, segui-la ganhou mais um capítulo nesta terça-feira, 30, no Rio de Janeiro. A advogada Bruna Xavier Kfuri, de 31 anos, foi presa em flagrante por policiais civis após furtar garrafas de champanhe importadas em um supermercado da Zona Sul da capital fluminense. Segundo a polícia, Bruna tentou esconder três garrafas da bebida, avaliadas em cerca de R$ 2 mil, dentro da bolsa, mas acabou sendo flagrada por funcionários do estabelecimento, que acionaram a polícia. Durante a abordagem, a advogada ainda tentou dificultar o trabalho dos agentes ao fornecer um nome falso, mas foi descoberta após revista pessoal e encaminhada à delegacia.
O caso chama atenção não apenas pelo valor elevado do produto furtado, mas também pelo histórico da suspeita. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, esta é a quinta prisão em flagrante de Bruna Xavier Kfuri. Em outras ocasiões, ela já havia sido detida por tentativas de furto em uma drogaria, em uma loja de materiais de construção e em outro supermercado, no bairro do Flamengo. A reportagem tenta contato com a advogada para ouvir sua versão dos fatos.
O episódio remete a um caso recente que também ganhou repercussão nacional e expôs a mesma contradição. O juiz Eduardo Appio, que atuava na 18ª Vara Federal de Curitiba e teve passagem pela Operação Lava Jato, foi detido sob suspeita de furto de champanhe em um supermercado. Em razão do episódio, Appio acabou suspenso do cargo e passou a ser alvo de um processo administrativo disciplinar.
Casos distintos, personagens diferentes, mas um roteiro que se repete com precisão quase jurídica: aqueles que conhecem os códigos, dominam os ritos e sabem citar artigos de cabeça acabam protagonizando episódios que escancaram uma ironia difícil de engolir. No papel, a lei é para todos; na prática, parece que alguns ainda insistem em testá-la — nem que seja no corredor das bebidas importadas.