Imagens: reprodução
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A morte do advogado criminalista Carlos Alberto dos Santos Costa Júnior, assassinado a tiros na madrugada de domingo, 30, em Belém, continua sendo investigada. Um policial civil é o principal suspeito do crime e já se apresentou à polícia nesta segunda, 1º de dezembro.

O crime ocorreu em frente a uma casa de shows (Bar Santa Matta) localizada na Avenida Rodolfo Chermont, no bairro da Marambaia. Informações da Polícia Militar indicam que o advogado e o policial civil teriam se envolvido em uma discussão pouco antes dos disparos. Testemunhas relataram a briga.

O caso segue em investigação. Até agora, o que se sabe permite traçar um esboço mais claro do cenário da madrugada em que o advogado criminalista foi assassinado. A polícia considera que o episódio pode unir o crime a uma possível motivação passional, porém a relação entre a vítima e o suspeito, que é um policial civil, ainda é tratada com cautela pela corporação.

Os investigadores trabalham com duas linhas: a de que eles se conheciam superficialmente por meio de amigos em comum que frequentavam o mesmo circuito de bares da região da Marambaia; e a possibilidade de que a discussão que antecedeu o crime tenha envolvido uma terceira pessoa — possivelmente uma mulher — o que reforça a hipótese de motivação por ciúme ou desentendimento de natureza pessoal. Testemunhas relataram que a briga começou dentro da casa de shows e continuou na calçada, onde os disparos foram efetuados.

Outro ponto apurado é que o policial civil suspeito, que atua como investigador, não estava de serviço e, segundo informações preliminares, fazia uso de arma da corporação naquela noite. Esse detalhe será checado pela Corregedoria da Polícia Civil, que abriu procedimento interno para apurar eventual violação disciplinar e a conduta do agente antes, durante e depois do crime.

A  Delegacia de Crimes Funcionais (Decrif) , unidade policial especializada na investigação de crimes praticados por policiais, como o caso requer, ouviu o suspeito após sua apresentação espontânea, mas, por ora, o teor do depoimento é mantido sob sigilo. Ele afirma ter agido “em legítima defesa”, argumento que não convenceu totalmente os investigadores devido ao número de disparos e ao relato das testemunhas, que destacam a sequência rápida de tiros após a discussão. A arma usada no crime foi entregue pela defesa e passará por perícia. Câmeras de segurança da rua já foram recolhidas e devem ajudar a montar a cronologia exata da ação.

Investigação em Andamento

A investigação também apura se houve perseguição inicial, se o advogado tentou deixar o local antes de ser alvejado e se o policial apresentou sinais de embriaguez — algo citado por testemunhas, mas ainda não confirmado oficialmente.

Outro aspecto em análise é o contexto profissional do advogado. Segundo colegas da área criminal, Carlos Alberto não havia relatado ameaças recentes nem conflitos decorrentes de sua atividade, o que reforça a tese de que a motivação é pessoal, e não ligada ao exercício da advocacia.

OAB-PA Acompanha o Caso

A OAB-PA, além de acompanhar o caso, articula para que a investigação seja célere e exemplar, destacando que a morte de um advogado em circunstâncias envolvendo um agente do Estado exige máxima transparência. A entidade também presta apoio à família da vítima, que cobra justiça e esclarecimento completo das circunstâncias da execução.

Enquanto isso, diligências seguem em andamento: novas testemunhas estão sendo chamadas, perícias complementares foram requisitadas, e a reconstituição do crime não é descartada para os próximos dias. A Polícia Civil trabalha para concluir o inquérito com todos os elementos capazes de esclarecer — sem margem para dúvidas — o que transformou uma discussão de bar em um homicídio que hoje mobiliza a classe jurídica e a sociedade paraense.

Editado por Luiz Octávio Lucas