Foto: Reprodução Zé Felipe / Ascom Ananindeua
Foto: Reprodução Zé Felipe / Ascom Ananindeua

O prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (PSB), aprontou mais uma farra com dinheiro público: contratou, pelo valor de R$ 630 mil, o show do cantor Zé Felipe para o aniversário da cidade, no dia 3 de janeiro.

A informação está no Diário Oficial publicado na última sexta-feira, 26 (veja abaixo). Como diria um sacerdote do município, “para fazer as coisas certas, tem recesso, mas para fazer coisas erradas, trabalha”.

O valor é R$ 130 mil a mais do que foi pago pelo mesmo show na Expoferr , a maior exposição agropecuária de Roraima, no último mês de novembro. A não ser que o cantor traga o pai, o cantor Leonardo, ou a namoada Ana Castela para a festa, a conta não bate.

E o show de Zé Felipe é apenas uma fatia do bolo. Segundo apurado pelo DIÁRIO, Daniel está na minha do Tribunal de Contas dos Municípios e do Ministério Público do Pará, por possível improbidade administrativa e crime contra as licitações.

O pedido de investigação foi protocolado pelo advogado Giussepp Mendes, após a Prefeitura abrir uma nova licitação para gastar até R$ 30 milhões em eventos, grandes festas com palanques, no ano que vem, um ano eleitoral. 

Em 2024, por exemplo, os gastos da Prefeitura de Ananindeua com shows teriam ficado em R$ 5 milhões, ou seja, 6 vezes menos. Além disso, a cidade está mergulhada em dívidas, na área da Saúde, coleta de lixo, e até no trânsito. A boca miúda já tem um novo nome para o gestor: “caloteiro”. E não é sem motivo.

Não paga nem radar

A empresa Atlanta Tecnologia da Informação retirou os seus radares das ruas da cidade. O motivo? Até o último mês de setembro, a prefeitura devia mais de R$ 8,5 milhões pelos serviços de  instalação, operação e manutenção de 22 radares de velocidade e 5 câmeras de videomonitoramento. 

A dívida da Prefeitura inclui serviços realizados pela empresa em 2022, ou três anos atrás. O último pagamento que a Atlanta recebeu foi em setembro do ano passado, relativo a serviços de setembro, outubro e novembro de 2023.

Também por causa dos calotes do prefeito, o Anita Gerosa, um hospital sem fins lucrativos com mais de 60 anos de existência, fechou as portas, em janeiro deste ano. Era a única maternidade 24 horas da cidade. 

O “socorro” para evitar mais danos à saúde de mães e bebês veio do governador do Pará, Helder Barbalho, e da vice, Hana Ghassan, que confirmaram a desapropriação da unidade, que dará origem a um novo Hospital Estadual Materno Infantil.

E não para por aí. Os moradores de Ananindeua andam “P” da vida com Daniel Santos. Na véspera do Natal, o Conjunto Girassol, no bairro Águas Brancas, por exemplo, denunciou a falta de coleta de lixo há semanas. É dívida, calote e crise na saúde, mas o contrato para shows está em dia. Como diz o outro, “mas assim…”.