Restaurante Flor de Jambu, no Centro de BH, denuncia ataques xenofóbicos após viralização de post com comentários de ódio. Foto: Mateus Baranowski/Divulgação
Restaurante Flor de Jambu, no Centro de BH, denuncia ataques xenofóbicos após viralização de post com comentários de ódio. Foto: Mateus Baranowski/Divulgação

O restaurante paraense Flor de Jambu, localizado no Edifício Central, no Centro de Belo Horizonte (MG), tornou-se alvo de ataques xenofóbicos após divulgar prints com comentários de ódio direcionados à cultura e à culinária do Pará. Entre as mensagens, usuários afirmaram sentir nojo de pratos amazônicos e mandaram nortistas “voltarem para sua terra”.

O caso reacendeu o debate sobre a xenofobia interna no país, classificada pela legislação brasileira como crime de racismo. Nos últimos anos, Minas Gerais registrou um aumento superior a 140% nas ocorrências relacionadas a esse tipo de discriminação, segundo dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública.

A proprietária Fernanda Souza, filha de tacacazeiras e moradora de BH há quase dez anos, relata que os ataques cresceram especialmente em momentos de polarização e sempre que algum conteúdo viraliza.

Xenofobia e racismo contra nortistas e nordestinos

O professor da UFMG e presidente da Comissão de Diversidade da OAB-MG, Alexandre Melo Franco Bahia, explica que a xenofobia contra brasileiros de outras regiões também se enquadra na Lei do Racismo e pode resultar em penas de até cinco anos de reclusão. Ele destaca que o preconceito contra nortistas e nordestinos é histórico, reforçado por estereótipos ligados à pobreza, migração e desigualdade.

Em Belo Horizonte, os registros subiram de quatro para 15 ocorrências apenas em 2024. O especialista orienta vítimas a documentar ataques, registrar boletim de ocorrência e buscar apoio jurídico.

O papel cultural dos migrantes em BH

Para Fernanda, tornar públicos os casos é fundamental para romper com ciclos de violência e valorizar a diversidade cultural presente na cidade, que inclui influências nortistas, indígenas, latinas e africanas. Ela afirma que migrantes devem ser lembrados não apenas em momentos de denúncia, mas também pelo papel cultural, gastronômico e social que desempenham em Belo Horizonte.

Carol Menezes

Repórter

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Desde 2020 também redige a coluna Linha Direta, seguinte ao Repórter Diário, de terça a domingo. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Desde 2020 também redige a coluna Linha Direta, seguinte ao Repórter Diário, de terça a domingo. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.