Movimento intenso e histórias inspiradoras marcam 2º dia do Enem no Pará. Foto: Antonio Melo
Movimento intenso e histórias inspiradoras marcam 2º dia do Enem no Pará. Foto: Antonio Melo

O segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) registrou grande movimentação neste domingo (7), nos principais locais de aplicação em Belém, Ananindeua e Marituba. Os candidatos enfrentaram mais uma etapa decisiva do exame, desta vez com as provas de Matemática e Ciências da Natureza, tradicionalmente consideradas entre as mais complexas do Enem.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a capital e os dois municípios da região metropolitana de Belém registraram 95.784 inscritos para o Enem 2025. Desses, 21.775 são concluintes do ensino médio. Belém concentra o maior número de participantes, com 69.647 inscritos. Em seguida vem Ananindeua, com 22.183, e Marituba, com 3.954 inscrições. Os dados são do Painel do Enem, disponível no portal do Inep.

Muitos estudantes chegaram cedo aos portões em busca de tranquilidade antes do início das avaliações. Em Belém, unidades de instituições de ensino nos bairros do Umarizal, Marco e Guamá foram alguns dos pontos com maior concentração de candidatos. Em Ananindeua, escolas localizadas na Cidade Nova e no Centro também registraram fluxo intenso. Em Marituba, o movimento estava mais tranquilo.

Em uma Universidade particular, no Umarizal, o primeiro candidato a chegar ao local de prova foi Adriano Monteiro Miranda, de 46 anos, autônomo. Ele contou que participa do Enem há mais de uma década. “Já fiz a prova dez, onze vezes. Ainda não passei, mas não desisto”, afirmou.

Adriano disse que pretende cursar Ciência da Computação ou Ciências Biológicas e que chegou cedo para garantir tranquilidade antes do início do exame. “Estudei, me preparei. Agora é ver como vai ser na hora”, comentou. Mesmo após anos tentando ingressar no ensino superior, ele mantém otimismo: “Uma hora vai dar certo”.

Para muitos estudantes, o segundo dia do Enem marcou o encerramento de um ciclo de preparação que durou meses. Apesar do nervosismo, boa parte dos candidatos afirmou sentir-se mais confiante após o desempenho no primeiro dia de provas.

A estudante Maria Eduarda Ribeiro Costa, do 3º ano, participa do exame pela segunda vez, mas esta é, de fato, sua primeira tentativa valendo nota, já que, no ano passado, realizou a prova como treineira. Ela busca uma vaga no curso de Psicologia da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Maria Eduarda Ribeiro, candidata

“Não espero que a segunda aplicação seja difícil. A Teoria de Resposta ao Item valoriza bastante matemática, e eu estudei o básico sem deixar de lado os conteúdos mais complexos. Estou confiante. Fiz uma boa preparação, tive ótimos professores, e agora é fazer com calma, controlar a ansiedade e ir bem na prova. Agora é controlar o mental!”, afirmou antes de entrar no local de prova, em uma escola particular no bairro do Marco.

Entre os candidatos, o clima variava entre nervosismo e confiança. Muitos disseram que, após o primeiro dia de provas, se sentiram mais seguros e ajustaram a estratégia para a etapa final.

À espera da abertura dos portões, o estudante Yuri Samuel Coelho dos Santos, de 18 anos, demonstrava expectativa para a sua primeira participação no Enem. Ele contou que pretende cursar Engenharia Civil e que se preparou durante dois anos. “Estudei o ano todo. Vim confiante, vai dar certo, se Deus quiser”, afirmou.

Com duas canetas, lanche e água em mãos, Yuri disse tentar controlar a ansiedade. “Sempre dá aquele friozinho, mas estou tranquilo”, comentou. Ele foi sozinho ao local de prova. “Vim só, mas acompanhado por Deus, Nossa Senhora e todos os anjos, como minha avó diz”, completou.

Apoio e Expectativas nos Locais de Prova

Apoio dos pais

Do lado de fora dos locais de prova, muitos pais acompanhavam a movimentação com apreensão e esperança. Entre eles estava Luciana Passos, de 50 anos, que aguardava o filho de 17 anos, prestes a fazer o Enem pela primeira vez. Enquanto ele já seguia para a fila, ela permanecia em oração.

“Estou aqui pedindo para Deus ajudar. Estamos todos ansiosos, mas confiantes. Já deu certo”, afirmou. O filho pretende ingressar no curso de Tecnologia da Informação e, segundo Luciana, se preparou bastante para o exame. “Ele é dedicado, estudou muito. Tem que ter fé e força de vontade”, completou.

Outra candidata que aguardava a abertura dos portões era Lara Cardoso, de 24 anos, que faz o Enem pela segunda vez. Ela contou que se preparou de forma constante ao longo do ano e busca uma vaga no curso de Fisioterapia.

“Estudei bastante, principalmente durante a semana, para não acumular muita coisa. Preferi organizar meu tempo”, afirmou. Mesmo chegando sozinha ao local de prova, disse não se sentir desacompanhada. “Vim sozinha. Sozinha não, com Deus”, comentou, sorrindo.

Confiante para a segunda etapa do exame, Lara disse acreditar que este pode ser um ano decisivo em sua trajetória acadêmica. “Espero que dê tudo certo, que o ano que vem eu inicie uma nova expectativa. Estou muito confiante. Fé em Deus em tudo”, declarou.

Entre os participantes do Enem em Belém, histórias de persistência também chamaram atenção. Tânia Gonçalves, de 60 anos, prestou o exame pela primeira vez e demonstrou entusiasmo com a possibilidade de ingressar no ensino superior. Ela pretende cursar Serviço Social.

“Estou muito confiante. A primeira prova foi maravilhosa, a redação também. Foi ótimo”, afirmou. Moradora do bairro da Sacramenta, Tânia contou que chegou sozinha ao local de prova, mas garante que não se sente desamparada. “Estou com Deus aqui”, disse, acrescentando que filhos e netos estão na torcida.

Microempresária do ramo de confecções, ela encara o Enem como uma nova etapa de vida. “Agora vai dar certo”, declarou, sorrindo.

Apoio Espiritual

Do lado de fora do local de provas, a atmosfera de ansiedade era acompanhada por manifestações de fé. Entre as pessoas que decidiram apoiar os candidatos espiritualmente estava Michele Ramos, de 40 anos, integrante do ministério da Igreja Batista da Lagoinha. Ela permaneceu diante dos portões realizando orações e intercedendo pelos estudantes — inclusive pelo próprio filho, Adrian Ramos, que também faz o Enem e já havia entrado para o exame.

Segundo Michele, a iniciativa tem um propósito claro. “A gente vem com o propósito de levar o índice do Senhor. Oração, intercessão, tudo é para o reino de Deus”, explicou. Para ela, a fé ajuda a aliviar o peso emocional do momento. “Deus é nosso amigo, nosso guardador, nosso protetor. A palavra diz: ‘No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo’. Então, colocamos todas as preocupações nas mãos do Senhor — as nossas e as dos jovens.”

Ela afirma acreditar que a confiança espiritual fortalece os estudantes. “A fé é a convicção do que não vemos. Eu creio que já deu tudo certo, mesmo antes do resultado. Tudo acontece no tempo de Deus”, disse. Michele estava acompanhada por outros membros do ministério, que foram ao local evangelizar e oferecer apoio aos candidatos antes da prova.

Resultados

O Enem é a principal porta de entrada para o ensino superior público no Brasil, por meio do Sisu, Prouni e Fies, e também é utilizado por diversas instituições privadas. Com a conclusão das provas, os candidatos agora aguardam a divulgação oficial dos gabaritos e do resultado final.

Conforme os editais mais recentes e informações divulgadas pelo Inep, o resultado oficial do Enem 2025 está previsto para janeiro de 2026, sem dia fixo confirmado até o momento.

Perfil dos participantes no Pará

Ao todo, o estado registrou 289.392 inscrições confirmadas no Enem 2025. A maioria dos candidatos é formada por pessoas autodeclaradas pardas (185.823), seguidas por mais de 34,9 mil pretos e aproximadamente 2,7 mil indígenas.

Entre os inscritos paraenses, mais de 83,6 mil são concluintes do ensino médio nas redes pública e privada. Desses, 71,59% estudam em escolas públicas, reforçando o peso do exame para o ingresso de estudantes da rede pública no ensino superior.

Com informações do repórter fotográfico Antônio Melo