Mandato preservado! Sabino deixa União Brasil, segue no governo e já articula candidatura ao Senado
Mandato preservado! Sabino deixa União Brasil, segue no governo e já articula candidatura ao Senado

Mesmo sob pressão, desde outubro, quando o União Brasil rompeu com o governo Lula, o ministro do Turismo, o paraense Celso Sabino não recuou. Após a decisão do partido de expulsá-lo da legenda, Sabino criticou publicamente a postura do partido, afirmando que a legenda tem “tomado decisões equivocadas”, e reiterou que permanecerá no governo Lula. O ministro chegou a indicar que deve ficar no comando da pasta até abril do próximo ano, prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral para quem pretende disputar as eleições. Ele relatou a aliados que tem sido sondado por outros partidos. Há alguns dias, ele disse, no entanto, que a decisão somente seria tomada após o término do imbróglio dentro do União Brasil.

O ministro planeja concorrer a uma das vagas ao Senado pelo Pará e avalia que o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva será decisivo no projeto eleitoral. Pesquisas de intenção de voto o colocam bem posicionado para disputar a segunda vaga no estado, o que reforça sua estratégia de manter proximidade com o Planalto. Nos últimos meses, ele também foi sondado por outras legendas, de olho em uma possível mudança de partido caso a expulsão se confirme.

Celso Sabino, afirmou que deixa o partido “de cabeça erguida”, disse não carregar “qualquer mácula” na trajetória política e classificou a decisão como uma injustiça, sobretudo diante dos resultados alcançados à frente do Ministério do Turismo. Segundo o ministro, o Brasil bateu em 2025 a marca histórica de 8,3 milhões de turistas estrangeiros, além de registrar recordes em todos os indicadores do setor, resultado que ele atribui à continuidade de políticas públicas e programas estruturantes tocados pela pasta.

Sabino ressaltou que a pressão para sua saída ocorreu em outubro, a apenas um mês da realização da COP30, em Belém, no Pará, evento considerado estratégico para o país e para a região amazônica. De acordo com o ministro, abandonar o posto naquele momento seria um gesto de irresponsabilidade administrativa. “Não poderia abandonar meu trabalho, nem os programas em curso, antes do principal evento internacional do país”, afirmou, ao justificar a decisão de permanecer no cargo mesmo sob risco de rompimento com a legenda. Para o ministro, foi justamente essa escolha que levou ao desfecho com o União Brasil.

Em tom combativo, Celso Sabino declarou que sai do partido com o sentimento de ter sido injustiçado, mas seguro de que sua atuação é reconhecida pelo povo do Pará e pelos agentes do setor turístico em todo o país. Ele afirmou que não lhe faltará coragem para seguir trabalhando pelo Brasil e pelo estado que representa politicamente, e encerrou a declaração reforçando um discurso de resistência: disse que não se curva a pressões e que o povo do Pará tampouco se curva. Apesar do rompimento partidário, Sabino deixou claro que continuará à frente do Ministério do Turismo, disposto a manter as ações em andamento e a defesa dos resultados alcançados, fiel à convicção de que sua prioridade é a gestão pública e o interesse nacional — como sempre foi feito, com trabalho, números na mesa e a consciência tranquila.

SABINO NÃO PERDE O MANDATO

Sabino estava filiado ao União Brasil desde 2021. Ele figurou nos órgãos de comando da sigla, chefiando o diretório estadual do Pará e sendo membro da executiva nacional. Eleito deputado federal em 2022, Celso Sabino se licenciou do mandato para assumir o Ministério do Turismo, cargo para o qual foi indicado com o aval da bancada da sigla na Câmara. Pela jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral, a expulsão não resulta na perda do mandato parlamentar. Ao contrário, Sabino ficará livre para se filiar a outra legenda e seguir no tabuleiro político. A jurisprudência do TSE indica que, por ter sido expulso pela direção partidária, Sabino não perderá o mandato parlamentar e estará apto para se filiar a outra sigla.

Em outubro, durante compromissos em Belém (PA), Celso Sabino afirmou que apoiaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, , independente do cenário político. O ministro chegou a indicar que chefiará o Turismo até o limite de desincompatibilização — abril do próximo ano —, quando detentores de cargos públicos precisam deixar as funções para disputar as eleições.