
Pará - Os pratos feitos, também conhecidos como PFs, são excelentes opções na hora do almoço, sendo uma opção com bom preço na maioria dos estabelecimentos e boxes que comercializam refeições. Arroz, feijão, salada e uma proteína costumam compor o PF, uma alternativa acessível para quem vende e consome.

A paixão pela culinária começou cedo na vida da chef de cozinha Eliana Ferreira. Aos 19 anos, ela já ajudava a mãe em um box no Ver-o-Peso com a comercialização de refeições. “O Ver-o-Peso foi minha origem”, frisa. Atualmente, com 58 anos, a chef de cozinha é fundadora do Box 49, estabelecimento popular no ramo da alimentação. São três pontos, sendo uma das unidades localizada na rua Antônio Barreto, no bairro Umarizal.
Nesta unidade, a clientela tem diferentes opções de PFs e de preços, como por exemplo os líderes de pedidos: o bife a cavalo (R$ 30,00), calabresa (R$ 25,00) e peixe frito (R$ 30,00), com acompanhamento de arroz, feijão, farofa, vinagrete e salada crua ou cozida. “São refeições feitas com dedicação, cuidado e zelo, prezando sempre pela qualidade dos alimentos e fidelidade do público”, pontua Eliana Ferreira.
Quando há aumentos de preços em determinados itens, como peixe, carne, frango ou até mesmo em alimentos como arroz, a chef de cozinha explica que não repassa o valor para as refeições, uma tentativa de manter os mesmos preços. Na unidade da Antônio Barreto, em um dia são preparados cerca de cinco quilos de arroz, quatro quilos de feijão e seis peitos de frango. “Cozinhar é uma paixão para mim e fazemos o melhor para garantir o retorno dos nossos clientes.”
Um ponto importante que a chef de cozinha destaca é que no ramo da alimentação só se mantém quem não desiste. Ela afirma que o setor de comercialização é muito dinâmico, com dias que são bem rentáveis com a casa cheia, mas que há dias que o movimento tem uma menor presença de fregueses. “É fundamental ter uma conexão com o público e entender os feedbacks positivos e negativos sobre a refeição.”
Praticidade e sabor
Sem ter muito tempo para cozinhar, além de pouquíssima prática no preparo de refeições, a melhor opção escolhida pelo técnico de audiovisual Cássio Cabral, 32, é comer fora de casa no expediente de almoço no trabalho. No cardápio, a escolha do técnico de audiovisual foi pelo bife acebolado, um prato muito gostoso e prático, de acordo com Cabral.
Pelo menos três vezes na semana, o técnico de audiovisual compra PFs para se alimentar no almoço. As principais justificativas é que vale o custo-benefício e que a comida é saborosa, “não pesando tanto no bolso”. Além disso, Cabral comenta que “comer fora é bem mais prático porque não dá tempo de ir em casa para almoçar”, além de ser “trabalhoso fazer comida para o trabalho”.

PFs no Veropa
No Ver-o-Peso, o ramo da alimentação é um dos atrativos com as diversas boeiras que trabalham dia a dia com a venda de PFs no local, principalmente no horário do almoço. Com uma rotina intensa de trabalho, a boieira Tatiane Nascimento, 45, consegue pagar as contas e demais despesas de casa com a venda das refeições.

Os preços dos PFs no box dela variam conforme a proteína, de 20 reais a 25 reais, entre as opções mais pedidas, como frango, peixe, carne assada e carne de porco. Nascimento explica que o segredo das vendas é atender bem o cliente e fazer o alimento com cuidado e zelo. “O tempero eu aprendi com a minha mãe, que também trabalhava com as vendas de refeição aqui. Veio de família.”
De segunda-feira a sábado, a boieira chega cedo no Ver-o-Peso, por volta das 7h, para conseguir comprar as carnes, peixes, temperos e demais ingredientes necessários no preparo das refeições. O trabalho só encerra após às 17h, marcando uma jornada de trabalho na qual exige muito empenho para preparar os alimentos que são servidos, atender os clientes e depois deixar o box todo organizado e limpo para o dia seguinte.
Para manter a clientela, Nascimento explica que não aumenta o preço das refeições quando há subida de valor dos ingredientes utilizados no preparo dos PFs. Outra estratégia para garantir a freguesia é atender ao pedido quando o cliente compra vários PFs de uma vez e pede desconto. “O que não podemos é perder as vendas nem deixar de atender bem. Esperamos que a COP 30 também seja um ponto favorável aqui”, ressalta.
De olho no orçamento
Conforme o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA), Everson Costa, o peso da alimentação no orçamento dos trabalhadores, sejam eles formais ou informais, é significativo. Segundo ele, com base em estudos, o gasto e o impacto dos orçamentos gira em torno de 30% com alimentação. “Precisamos levar em consideração que esse gasto pode ser até menor, mas, claro, para aqueles que têm acesso a benefícios como ticket alimentação”, pontua.
Com relação à alimentação fora de domicílio, Costa explica que ela tem um aspecto comercial diário e que precisa ser bem planejada para caber no orçamento e não comprometer o bolso. “Estamos falando de um nível significativo de gastos. A alimentação em todo o Brasil ficou muito cara, principalmente no primeiro semestre deste ano. Só tivemos algum recuo a partir do mês de agosto. A cesta básica dos paraenses é um exemplo disso.”
Para quem trabalha com a venda de PFs, o supervisor técnico do Dieese/PA explica que é importante fazer uma revisão e planejamento para poder rever custos e margem de lucro para poder adaptar a inflação elevada e garantir as boas saídas dos PFs. “Neste momento estamos falando de quedas no preço dos alimentos básicos, mas o gasto com alimentação fora do domicílio ainda mantêm uma inflação acima da média nacional. É uma balança da qual todo mundo tenta fazer ajustes.”
Everson Costa afirma que existe um aspecto importante sobre o fluxo financeiro por trás da atividade da alimentação fora de domicílio e, acima de tudo, a renda dos trabalhadores que vivem do ramo. “O acesso à alimentação fora de domicílio é fundamental em qualidade, em preço justo e movimentação econômica porque você tem um contingente de trabalhadores ocupados que ganham apenas um salário.”
Editado por Débora Costa