
O prefeito de Marabá, Toni Cunha (PL), anunciou que a administração municipal assumirá integralmente o custo de R$ 1 milhão para o show do cantor Zezé Di Camargo na virada de ano. A decisão ocorre após o Governo Federal cancelar o repasse que anteriormente havia sido empenhado e aprovado para o evento.
O chefe do executivo municipal atribuiu o cancelamento da verba federal a uma suposta retaliação política do governo Lula contra o artista e o povo de Marabá. Em suas redes sociais, o prefeito afirmou que a procuradoria municipal entrará na justiça contra a União para garantir o repasse inicialmente prometido. “Marabá vai pagar e o show está mantido!”, declarou o gestor, reafirmando que detém a autoridade sobre as políticas públicas do município.
“Marabá vai pagar e o show está mantido!”, disse o prefeito em vídeo. Na legenda, ele ainda falou que a população de Marabá estaria “indignada” com o “descompromisso e perseguição” do presidente.
Críticas e Ações Legais
A medida gerou críticas imediatas por coincidir com um momento crítico na saúde pública do município. No mesmo dia do anúncio, o Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública do Pará ajuizaram uma Ação Civil Pública para obrigar a prefeitura a realizar, em caráter de urgência, mais de 5.000 cirurgias eletivas que aguardam na fila há meses.
A ação judicial aponta falhas na gestão de recursos, sobrecarga hospitalar e exige que os procedimentos comecem em até 10 dias, com a meta de zerar a fila em seis meses, sob pena de multa diária. O contraste entre o investimento em um show de duas horas e a carência de procedimentos cirúrgicos intensificou o debate sobre as prioridades administrativas da gestão de Toni Cunha.
Enquanto o prefeito promete a “maior virada de ano da história”, a gestão municipal enfrenta o desafio de responder judicialmente pelas falhas na saúde. O uso de recursos próprios para o cachê milionário, em um momento de crise reconhecida pelo sistema de Justiça, é visto por setores da sociedade como um símbolo de descompasso entre a gestão e as necessidades urgentes da população marabaense.
A Origem da Polêmica
O imbróglio que levou ao corte dos recursos federais teria sido motivado pelas falas de Zezé Di Camargo sobre o evento de lançamento do SBT News. O cantor criticou publicamente as herdeiras de Silvio Santos, atuais dirigentes da emissora, por terem convidado o presidente Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes para o evento.
Zezé chegou a manifestar irritação em vídeos, sugerindo que o SBT não estaria honrando o legado de seu fundador e pedindo que seu especial de Natal não fosse exibido pela rede.
A situação levou ao cancelamento do especial, que iria ao ar nesta quarta-feira (17), e também teria tido repercussões negativas em outras emissoras.