Explore 3 receitas tradicionais da Amazônia que refletem a rica cultura e sabores únicos da região. Aprenda a fazer maniçoba, arroz paraense e pato no tucupi.
Explore 3 receitas tradicionais da Amazônia que refletem a rica cultura e sabores únicos da região. Aprenda a fazer maniçoba, arroz paraense e pato no tucupi. Reprodução

Pará - O origem da maniçoba, tradicional prato da culinária paraoara, veio à tona na última sexta-feira durante os eventos de visitas e entregas de obras do presidente Lula em Belém, quando se travou uma “disputa gastronômica” entre o governador Helder Barbalho e o Ministro da Casa Civil Rui costa – que é baiano- , sobre qual a melhor e mais saborosa maniçoba do Brasil: a tradicional, feita no Pará, ou a baiana, da terra do ministro.

Os pratos feitos nos dois Estados possuem preparos e visual semelhantes. Na Bahia a maniçoba é típica da região do Recôncavo baiano e ao invés de ser fervida durante vários dias como ocorre no Pará, a maniva triturada é lavada várias por até 10 vezes até sumir o sumo verde da folha, quando então é levada a uma panela e fervida por 15 minutos e novamente escorrida.

Em seguida é misturada aos tradicionais temperos e ingredientes (bacon, charque, carne de porco, calabresa defumada e, em muitos casos, carne de sol) e aí novamente fervida por cerca de 2 horas e meia. Quem provou maniçoba baiana afirma que o prato nordestino tem o sabor “mais fraco” e com menos ingredientes do que o preparado no Pará.

A maniçoba faz parte da cultura paraense de diversas formas. Em 1960 já era citada em Belém do Grão Pará, livro de Dalcídio Jurandir. Veja o trecho: “As sestas no recolhimento da Gentil transformavam a senhora. Suas imprecações e sarcasmos viraram num hábito muito seu, quase cordial, o modo divertido de se vingar do infortúnio político e xingar os novos poderosos.

Aos poucos foi saboreando novos cuidados menos brilhantes e mais estáveis que eram o senhor preparo da mão de vaca, do cozidão, da feijoada, da maniçoba, do aluá, da gengibirra e da canjica em junho — em junho, seu Virgílio, ah, Inácia restituída — e do peru para o dia do Círio”.

O prato também é referido como amazônico no site da Biblioteca Blanche Knop, da Fundação Joaquim Nabuco, sediada em Recife-PE, referência nacional em diversos tipos de pesquisa, principalmente voltados à cultura.

Indo além, a maniçoba também é considerada amazônica em artigo publicado no “Journal of Food Composition and Analysis”, revista científica referência mundial em pesquisa sobre alimentação, em artigo “Maniçoba, a quercetin-rich Amazonian dish” (“Maniçoba, um prato amazônico rico em quercetina”, em uma tradução livre), de 2006.

Sua origem geográfica, no entanto, não é específica. O que se sabe é que o prato provavelmente foi criado por indígenas no século XVI, o que aumenta a polêmica sobre o estado que desenvolveu a iguaria, já que Belém foi fundada somente no século XVII.

Baiana? Paraense? Ou… Sergipana?

Além da possível origem paraense ou mesmo baiana, a maniçoba também é um prato típico em Sergipe, em especial na cidade de Lagarto. No Estado, até mesmo um povoado possuía o nome de “Maniçoba”, que depois foi modificado para Nossa Senhora Aparecida. O município foi criado em 1963 (portanto, bem próximo da obra de Dalcídio Jurandir)

Durante a peleja gastronômica em Belém semana passada, o governador Helder Barbalho brincou dizendo que que “Só não vale o Rui levar aqui de Belém maniçoba congelada do Pará para servir lá na Bahia. A maniçoba do Pará é a original. O resto é fake!”, brincou Helder. O presidente Lula disse que será o árbitro da disputa, se intitulando “degustador de maniçoba”, reconhecido pela “Federação Mundial de e Maniçoba”.

Luiz Flávio

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.