
Pará - Belém se prepara para ser o palco onde a floresta e o concreto se encontram. É de lá que o ministro das Cidades, Jader Filho, quer dar novo rumo ao debate global sobre o clima: colocar as cidades — e quem vive nelas e sentem primeiro os efeitos das mudanças climáticas – no centro das discussões da COP30, que acontece em novembro de 2025. Diante de um mundo que enfrenta enchentes recordes, secas prolongadas e ondas de calor sem precedentes, Jader Filho defende que o Brasil leve à cúpula do clima a pauta da adaptação urbana, um tema até hoje coadjuvante nas conferências ambientais.
“Não queremos minimizar a importância da defesa das florestas, da fauna, da flora. Mas é preciso ampliar o olhar. Para além disso, temos que discutir também o tema urbano — e é isso que queremos trazer com força a partir de Belém”, afirmou o ministro em entrevista à Reuters.
As cidades na linha de frente da crise
Com o planeta se aproximando perigosamente do aumento de 1,5°C na temperatura média global, as cidades — onde vivem mais de 80% dos brasileiros — tornaram-se o campo de batalha mais imediato da crise climática. “As cidades são onde as pessoas vivem. São elas que sentem primeiro os efeitos das mudanças climáticas”, disse o ministro.
Para Jader Filho, é urgente fortalecer a capacidade dos municípios de se adaptar a desastres e acessar recursos internacionais voltados à mitigação e resiliência. Hoje, segundo ele, o financiamento climático global ainda está concentrado nos países e regiões mais ricos.
“Existem fundos disponíveis no mundo, mas raramente esses recursos chegam às cidades pequenas. Precisamos democratizar o acesso a esses financiamentos, ou os ricos continuarão sendo os únicos a se adaptar”, alertou.
Financiamento e desafios
O ministro cita como prioridades a macrodrenagem urbana, o reforço de encostas, a descarbonização das frotas de transporte público e o saneamento básico — áreas críticas diante de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Jader reconhece que o Brasil tem fontes de financiamento mais estruturadas que muitos países vizinhos, mas diz que o desafio é maior que a capacidade atual.“O governo brasileiro vai continuar fazendo sua parte, mas é fundamental que estados e municípios também tenham acesso a novas fontes de recursos”, afirmou.
O pavilhão das cidades
A COP30 em Belém marcará uma estreia histórica: pela primeira vez, o evento terá um pavilhão dedicado exclusivamente às áreas urbanas. A ideia é abrir espaço para discutir desde o papel das cidades na redução das emissões até sua resiliência diante do clima extremo.
“O pavilhão urbano será um lugar para discutir desde a contribuição das cidades na preservação do clima até o tema que considero central: a adaptação e a resiliência das nossas cidades”, concluiu o ministro. De Belém para o mundo, o ministro quer mostrar que a luta contra a crise climática não se trava apenas na floresta, mas também no asfalto quente, nos becos alagados e nas periferias que resistem.
Editado por Débora Costa