Foto: Divulgação
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A partir de 1º de janeiro de 2026, o Pará passará a exigir que todo bovino e bubalino em trânsito no Estado possua identificação individual — por meio de brinco visual e eletrônico — e Guia de Trânsito Animal (GTA) regularizada.

A medida marca uma nova etapa do programa paraense de rastreabilidade animal, considerado pioneiro no país, e reforça o controle sanitário do rebanho, além de ampliar a segurança e a confiabilidade da cadeia produtiva, fatores essenciais para a competitividade da pecuária na economia estadual.

Daqui a 30 dias, produtores rurais precisam estar adequados às novas normas de defesa agropecuária, alerta a Adepará. Para criadores com até 100 animais, o Governo do Pará realiza a identificação individual gratuitamente; já pecuaristas com rebanhos maiores podem adquirir os dispositivos em revendas credenciadas. O objetivo é ampliar o uso de tecnologias de monitoramento, reduzir riscos sanitários e garantir maior precisão no acompanhamento da origem e movimentação dos animais.

Segundo a médica veterinária Barbra Lopes, gerente de Cadastro Agropecuário e Rastreabilidade da Adepará, a identificação individual fortalece a capacidade de gestão dentro das propriedades e aumenta o nível de segurança sanitária do rebanho. “Não é apenas um brinco. A rastreabilidade permite ao produtor acesso a tecnologia, controle e melhor organização da produção”, afirma.

No arquipélago do Marajó, onde o manejo pecuário segue características específicas e enfrenta desafios logísticos, o avanço da rastreabilidade é visto como um instrumento importante para qualificar a produção. “É um ganho significativo para todos nós marajoaras, permitindo que possamos nos firmar no mercado com maior qualidade e controle”, avalia Gabriela Gouvêa, proprietária da fazenda Mironga, em Soure.

Rastreabilidade e Economia no Pará

A Adepará reforça que a rastreabilidade é um elemento fundamental para ampliar a transparência da cadeia produtiva, atender as exigências de mercados nacionais e internacionais e fortalecer a economia do Estado, que tem na pecuária um dos seus pilares. Produtores devem procurar as unidades regionais para orientações, aquisição de dispositivos e esclarecimento de dúvidas sobre o Sistema de Rastreabilidade Bovídea do Pará.

Como funciona o programa de rastreabilidade do Pará

O Programa de Rastreabilidade Bovídea do Pará foi estruturado para permitir o acompanhamento individual de cada animal ao longo de todas as etapas de produção e circulação no território estadual. A base do sistema é a identificação obrigatória por meio de dois tipos de brinco: um visual, que permite leitura rápida a olho nu, e um eletrônico, que contém informações codificadas e integradas ao banco de dados da Adepará.

Cada identificação é vinculada ao produtor, à propriedade e ao próprio histórico sanitário do animal, criando um registro único que acompanha todas as movimentações — da fazenda de origem até eventuais deslocamentos para feiras, leilões, abates ou transferência para outras unidades produtivas. A emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), documento obrigatório para circulação, também passa a depender da regularidade desse cadastro, garantindo maior precisão nas informações sobre deslocamento de rebanhos.

Benefícios e Impacto da Rastreabilidade

O sistema permite rastrear a trajetória completa de bovinos e bubalinos, ampliando a capacidade do Estado de monitorar doenças, prevenir surtos e agir com rapidez em casos de risco sanitário. Além disso, oferece aos produtores acesso a ferramentas tecnológicas antes restritas a grandes operações, fortalecendo a gestão da propriedade e melhorando o padrão de qualidade exigido por mercados consumidores cada vez mais atentos à origem e às condições de produção.

Com a implantação progressiva e o apoio técnico da Adepará, o programa consolida o Pará como um dos primeiros estados do país a adotar rastreabilidade em escala estadual, elevando o nível de controle sanitário e ampliando a competitividade da pecuária local.

Editado por Luiz Octávio Lucas