Nova Usina da Paz vai atender milhares em Ananindeua Foto: Agência Pará
Nova Usina da Paz vai atender milhares em Ananindeua Foto: Agência Pará

O Governo do Pará assina neste sábado, 3, a ordem de serviço que autoriza a construção da segunda Usina da Paz de Ananindeua. O evento, que vai contar com as presenças do governador do Pará, Helder Barbalho e da vice-governadora, Hana Ghassan, integra as comemorações pelos 82 anos do município e marca mais um passo da política estadual de transformação social, que amplia a presença do Estado com a oferta de serviços gratuitos voltados à cidadania, saúde, educação, qualificação profissional, cultura, esporte e lazer, áreas que historicamente fazem diferença real na vida de quem mais precisa. O Usinas da Paz se destaca como o maior programa de inclusão social e cidadania da América Latina. O programa, criado no primeiro mandato do governador Helder Barbalho, oferece mais de 70 serviços gratuitos, incluindo saúde, educação, esporte e documentação, em complexos multifuncionais para a população local.

A nova unidade será implantada em uma área de 27 mil metros quadrados, na Avenida Zacarias de Assunção, no bairro Distrito Industrial. O espaço foi planejado para atender moradores de diversos bairros de Ananindeua, reunindo uma estrutura moderna e multifuncional, com mais de 70 serviços disponíveis para públicos de todas as idades. A obra reforça a rede de proteção social no município e amplia o acesso a oportunidades, sobretudo para crianças, jovens e famílias em situação de vulnerabilidade.

Ananindeua já vivencia, na prática, os impactos desse modelo. Desde outubro de 2021, a população conta com a Usina da Paz Prof. Amintas Pinheiro, no bairro do Icuí-Guajará, que já ultrapassou a marca de 1 milhão de atendimentos, consolidando-se como um espaço de referência em cidadania, inclusão e convivência comunitária.

CIDADANIA

As Usinas da Paz são complexos de cidadania implantados pelo Governo do Pará com o objetivo de promover inclusão social, reduzir a violência e melhorar a qualidade de vida em regiões vulneráveis, por meio da oferta integrada de serviços gratuitos nas áreas de saúde, educação, qualificação profissional, esporte, cultura, cidadania e lazer. O projeto faz parte do Programa Territórios Pela Paz (TerPaz) e, desde a entrega da primeira unidade, em 2021, já soma mais de 11,4 milhões de atendimentos em todo o estado.

Além do impacto social, os resultados também se refletem na segurança pública. Nas áreas onde as Usinas da Paz estão implantadas, os índices de Crimes Violentos Letais Intencionais registraram reduções expressivas, chegando a quedas de até 90%, o que reforça a eficácia do modelo na promoção da segurança e na melhoria da qualidade de vida das comunidades atendidas.

Atualmente, o Pará conta com 20 Usinas da Paz entregues e em funcionamento. Cinco estão localizadas em Belém — Jurunas/Condor, Guamá, Terra Firme, Bengui e Cabanagem — e outras 15 distribuídas pela Região Metropolitana e pelo interior do estado, nos municípios de Ananindeua (Icuí-Guajará), Marituba, Benevides, Barcarena, Cametá, Castanhal, Capanema, Moju, Bragança, São Miguel do Guamá, Abaetetuba, Tucuruí, Marabá, Parauapebas e Canaã dos Carajás, consolidando uma política pública que aposta no básico bem feito: presença do Estado, serviços contínuos e cuidado com as pessoas.

REFERÊNCIA BRASILEIRA

O Programa Usinas da Paz, desenvolvido pelo Governo do Pará, foi apresentado como uma experiência inovadora de política pública integrada durante o 10º Congresso Luso-Brasileiro para o Planejamento Urbano, Regional, Integrado e Sustentável, realizado sob o tema “Cidades e Territórios em Transição”. Em artigo divulgado pela Universidade do Minho, em Portugal, a iniciativa paraense foi destacada como um modelo bem-sucedido de requalificação urbana associada à promoção da cidadania, da inclusão social e da prevenção da violência em territórios historicamente marcados por vulnerabilidades socioeconômicas.

O estudo destaca que as Usinas da Paz vão além da lógica tradicional de equipamentos públicos setoriais, ao concentrar, em um único espaço urbano, serviços de saúde, educação, qualificação profissional, cultura, esporte, lazer e cidadania, integrados a políticas de segurança pública. Segundo o artigo, essa abordagem territorializada fortalece o vínculo entre Estado e comunidade, contribui para a redução de desigualdades e estimula o uso positivo do espaço urbano, ressignificando áreas antes associadas à exclusão e à violência.

Outro ponto ressaltado no trabalho publicado pela universidade portuguesa é o impacto do programa na dinâmica urbana e social dos bairros atendidos. A implantação das Usinas da Paz é apresentada como um fator indutor de transformação territorial, com reflexos na melhoria da qualidade de vida, no fortalecimento do capital social e na redução expressiva dos índices de criminalidade, especialmente dos Crimes Violentos Letais Intencionais. O artigo aponta que esses resultados decorrem da combinação entre presença permanente do poder público, oferta contínua de serviços e participação ativa da comunidade.

No contexto internacional do Congresso Luso-Brasileiro, o Programa Usinas da Paz é citado como uma referência brasileira de política pública alinhada aos princípios do planejamento urbano sustentável e integrado, por articular desenvolvimento social, segurança, inclusão e requalificação do território. A experiência do Pará é apresentada como replicável em outras realidades urbanas, sobretudo em cidades que enfrentam desafios semelhantes relacionados à desigualdade, fragmentação urbana e violência, reforçando o papel do planejamento territorial como instrumento de transformação social — do jeito que a boa política pública sempre fez: ocupando o território com serviços, presença do Estado e cuidado com as pessoas.