BNDES, Marinha e Cemaden firmam parceria em Belém para enfrentamento de desastres naturais
BNDES, Marinha e Cemaden firmam parceria em Belém para enfrentamento de desastres naturais. Foto: Mauro Ângelo

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Marinha do Brasil e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) assinaram, nesta sexta-feira (7), em Belém, um protocolo de intenções para fortalecer a cooperação na prevenção, monitoramento e resposta a desastres naturais.

A cerimônia ocorreu a bordo do navio Atlântico, ancorado no porto da capital paraense. A embarcação, conhecida como o “Gigante da Marinha”, funcionará como base operacional das Forças Armadas durante a COP30, que será realizada em Belém em 2025.


R$ 100 milhões para o enfrentamento de desastres

O protocolo prevê a mobilização de R$ 100 milhões para estudos que subsidiem a criação de um plano nacional de enfrentamento aos desastres naturais. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a proposta busca unir capacidades técnicas, científicas e financeiras das três instituições.

“Estamos tendo desastres extremos cada vez mais frequentes e intensos. Precisamos salvar vidas e reconstruir o que for necessário. O Estado tem que chegar com ciência, pesquisa e planejamento”, afirmou Mercadante.

O presidente do BNDES lembrou ainda da experiência positiva no Rio Grande do Sul, após as enchentes de 2024. “O estado cresceu 4,9% naquele ano, porque conseguimos garantir crédito e evitar o fechamento de empresas. Queremos levar essa experiência para o resto do país”, completou.


Integração entre defesa, ciência e desenvolvimento

O protocolo valoriza a especialização de cada instituição.

  • A Marinha do Brasil atuará como braço operacional, por meio do Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais – Defesa Civil.
  • O Cemaden, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), contribuirá com monitoramento e modelagem preditiva de desastres.
  • O BNDES apoiará com estrutura técnica e financeira, ampliando investimentos em pesquisa e resposta emergencial.

O comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, ressaltou que a união das forças reforça o compromisso do país com a resiliência climática.

“A experiência operacional da Marinha, aliada à excelência técnica do Cemaden e à capacidade estratégica do BNDES, traduz a união entre defesa, ciência e desenvolvimento em favor da proteção da vida e da segurança da população”, afirmou.


“Agir com base em ciência e tecnologia”

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que a ação coordenada é fundamental diante das mudanças climáticas.

“Vemos chuvas e enchentes mais intensas, secas e ondas de calor mais severas. Esses eventos atingem principalmente as comunidades mais vulneráveis. Precisamos agir com base em ciência e tecnologia para salvar vidas”, declarou.

A diretora do Cemaden, Regina Célia Alvalá, reforçou que o centro já é capaz de emitir alertas com dias de antecedência — como ocorreu em São Sebastião e no Rio Grande do Sul —, mas que a nova parceria permitirá avanços.

“Com a força da Marinha e o apoio do BNDES, poderemos desenvolver novas tecnologias e aprimorar as respostas aos desastres”, disse.


Compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O acordo também se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e ao Marco de Sendai, que orienta ações globais para a redução de riscos de desastres.

A expectativa é que o plano nacional esteja concluído até outubro de 2026, definindo diretrizes para adaptação, reconstrução e respostas emergenciais em situações extremas.


Homenagem a Pedro Teixeira

Durante a cerimônia, foi prestada homenagem ao militar português Pedro Teixeira, personagem histórico que liderou, no século 17, a expedição fluvial responsável pela incorporação da Amazônia ao território brasileiro.

O reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilmar Pereira da Silva, anunciou a criação de uma comissão de estudos sobre o legado do militar. Uma placa produzida pelo BNDES foi entregue ao Comando da Marinha, simbolizando a continuidade do trabalho de defesa e integração nacional iniciado há mais de 380 anos.

“Muito do fato de a Amazônia ser reconhecidamente brasileira se deve à coragem e à visão de Pedro Teixeira”, destacou Mercadante.