Águas do Pará amplia investimentos e projeta salto no saneamento

A transição dos serviços de saneamento no Pará marca, segundo o diretor-presidente da Águas do Pará, André Facó, “o início de um novo ciclo de investimento, transparência e cuidado com mais de 5 milhões de paraenses”. Desde 1º de setembro, quando assumiu de forma antecipada a operação em Belém, Ananindeua e Marituba, a empresa estruturou uma força-tarefa para garantir a continuidade dos serviços, reforçar equipes e ampliar canais de diálogo com a população. “Nossa prioridade foi manter a segurança operacional e estar presente nos territórios, explicando cada etapa dessa mudança”, afirma.

Neste Dia Mundial do Saneamento Básico, 19 de novembro, o gestor público traz os números que demonstram a escala do projeto. O Pará vive o maior plano de investimento em saneamento da história da Amazônia Legal: são R$ 18,7 bilhões previstos ao longo de 40 anos, com R$ 871 milhões somente no primeiro ano de operação. A antecipação da gestão nos três municípios já exigiu R$ 220 milhões, em parceria com o Governo do Estado e a Cosanpa. “Desse total, R$ 144 milhões foram aplicados até a COP. Queríamos garantir respostas rápidas para comunidades que esperam por saneamento há décadas”, diz Facó.

Investimentos e Impacto Social

Um dos exemplos é a Vila da Barca, onde a concessionária implantou 2,3 quilômetros de redes elevadas de água em apenas três meses. “Pela primeira vez, 5 mil pessoas passaram a ter acesso à água potável em uma das maiores comunidades sobre palafitas da América Latina. É um marco histórico”, reforça o executivo. As obras de esgotamento sanitário também já iniciaram e devem ser concluídas até abril de 2026.

O cronograma de recuperação de poços é outra frente de impacto imediato. Em 2025, três etapas já foram concluídas, beneficiando mais de 83 mil pessoas nos três municípios. Quinze dos 32 poços passaram por limpeza, substituição de bombas e reparos estruturais. “Seguimos avançando. Cada poço recuperado significa mais segurança hídrica e menos interrupções para as famílias”, afirma Facó.

As metas são ambiciosas. Até 2033, a Águas do Pará pretende alcançar 99% de cobertura de abastecimento de água em sua área de atuação. Para o esgotamento sanitário, o objetivo é chegar a 90% na Região Metropolitana de Belém e no Marajó — patamar inédito na história do estado. Nas regiões Nordeste, Sudeste, Sudoeste e Baixo Amazonas, a universalização está prevista até 2039. “Universalizar saneamento na Amazônia é um desafio logístico gigantesco, mas cada obra concluída representa vidas transformadas”, diz.

Sobre atendimento a áreas ribeirinhas e territórios tradicionais dentro da zona urbana, o diretor-presidente enfatiza que as soluções precisam respeitar a realidade amazônica. “A Amazônia exige soluções amazônidas. Não existe copiar e colar. Onde houver comunidades na área atendida, vamos dialogar e construir alternativas possíveis. Nosso compromisso é que ninguém fique de fora”, enaltece.

Engajamento Comunitário e Eficiência

Além das frentes de engenharia, a empresa investe na formação e no engajamento comunitário. O projeto Barca Saneada levou educação ambiental para moradores da Vila da Barca, com orientações sobre consumo consciente, ligações regulares e cuidados com o sistema. “Infraestrutura muda cidades, mas conhecimento muda comportamentos. E isso vale tanto para adultos quanto para as novas gerações”, afirma. A empresa também oferta oficinas de empregabilidade e cursos de capacitação para mulheres, ampliando o impacto social do saneamento.

A eficiência operacional também tem mostrado resultados. Entre setembro e outubro, mais de 54 milhões de litros de água deixaram de ser desperdiçados em Belém, Ananindeua e Marituba. “Esse volume equivale a quase 22 piscinas olímpicas. Em menos de dois meses, fizemos mais de 200 reparos. É eficiência operacional, mas também é compromisso ambiental”, reforça Facó.

Com a COP30, o saneamento ganhou ainda mais destaque. “Saneamento é agenda climática por excelência. Onde falta água segura, sobra vulnerabilidade. Onde não há esgoto tratado, há rios contaminados e desigualdade agravada”, afirma. Ele destaca o uso de redes elevadas em áreas alagáveis e investimentos para reduzir perdas e garantir segurança hídrica como exemplos de soluções sustentáveis já em execução.

Entre os entraves enfrentados pela concessionária, Facó cita o licenciamento, a necessidade de planejamento antecipado e o financiamento de obras complexas em áreas de baixa densidade populacional. “O Novo Marco do Saneamento e a parceria com o Governo do Estado têm dado previsibilidade e ritmo. Mas seguimos trabalhando para aprimorar processos e avançar com responsabilidade”, destaca.

No Dia do Saneamento, o diretor-presidente reforça que a participação da população é decisiva para o sucesso do projeto. “Saneamento não é uma obra distante. É saúde, dignidade e oportunidade. Cada ligação instalada significa uma criança adoecendo menos, uma família com mais tranquilidade, uma comunidade reconhecendo seu direito de prosperar. O Pará está vivendo um novo capítulo — e ele só será completo se for coletivo”, garante o gestor.

Carol Menezes

Repórter

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Desde 2020 também redige a coluna Linha Direta, seguinte ao Repórter Diário, de terça a domingo. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Desde 2020 também redige a coluna Linha Direta, seguinte ao Repórter Diário, de terça a domingo. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso.